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Atualizado às: 02 de julho, 2003 - Publicado às 21h15 GMT - 18h15 (Brasília)
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Alemães reagem a declarações de Berlusconi
Bersluconi
Mesmo sob protestos, Berlusconi não retirou o que disse

O governo da Alemanha reagiu com revolta às declarações do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que comparou um deputado alemão a um guarda de campo de concentração nazista.

O incidente aconteceu no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, quando Berlusconi explicava seus planos para a presidência da União Européia. A Itália assumiu nesta terça-feira a presidência rotativa do bloco que dura seis meses.

"Eu sei que há um homem produzindo um filme sobre os campos de concentração nazistas", disse ele ao socialista Martin Schulz e acrescentou:

"Eu gostaria de sugerir para você o papel de Kapo (guarda escolhido entre os prisioneiros). Você ficaria perfeito."

A declaração foi feita depois que Schulz acusou o premiê italiano de estar exportando seus conflitos de interesse em casa para o resto do bloco.

Protestos

O governo alemão descreveu os comentários como "inaceitáveis" e expressou seu descontentamento ao embaixador italiano em Berlim.

Apesar dos gritos de protesto, Berlusconi recusou-se a retirar o que disse, afirmando que havia feito apenas uma "piada".

"Eu não poderia imaginar que isso iria ferir os sentimentos de nossos amigos alemães", disse a repórteres.

Após o comentário, Schulz disse que não iria responder às declarações por respeito às vítimas do fascismo e foi muito aplaudido por seus colegas.

"Mas é muito duro para mim aceitar que um político possa estar exercendo o papel de presidente da União Européia se ele vem com esse tipo de declaração ao ser deparado com um mínimo sinal de contrariedade", afirmou.

A "piada" de Berlusconi recebeu críticas até mesmo dentro de seu próprio gabinete.

"Nenhuma acusação, nem mesmo a mais guerrilheira, pode justificar o título de nazista para um adversário político", disse o vice-primeiro ministro italiano, Gianfranco Fini, de acordo com a agência Reuters.

Imunidade

Alguns parlamentares europeus do Partido Verde interromperam o discurso de Berlusconi e ficaram de pé com cartazes que diziam: "A lei é igual para todos" em várias línguas.

O protesto aconteceu poucas horas depois de um tribunal italiano de Milão ter arquivado um processo contra Berlusconi, no qual era acusado de prática de surborno.

A decisão do tribunal foi tomada após a aprovação de uma lei polêmica no Parlamento italiano concedendo imunidade ao primeiro-ministro do país.

Enquanto chefe do governo da Itália, Berlusconi assume a presidência da UE em meio a críticas de políticos e de órgãos da imprensa estrangeiros por ter aprovado uma lei que lhe garantiu imunidade em um processo por corrupção.

Em um artigo publicado nesta quarta-feira no jornal britânico The Times, Berlusconi responde a essas críticas dizendo que "ninguém pode dar lições de moral a um governo eleito pelo povo italiano".

Entre as prioridades de Berlusconi para a presidência da União Européia estão: uma conferência intergovernamental sobre a Constituição européia em outubro; a promoção da paz no Oriente Médio, talvez com uma conferência de paz na Sicília; um "New Deal" para incentivar projetos de infra-estrutura na Europa financiados por títulos do Banco Europeu de Investimento e discussão de soluções para a imigração e para a Previdência.

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