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Alemães reagem a declarações de Berlusconi
O governo da Alemanha reagiu com revolta às declarações do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que comparou um deputado alemão a um guarda de campo de concentração nazista. O incidente aconteceu no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, quando Berlusconi explicava seus planos para a presidência da União Européia. A Itália assumiu nesta terça-feira a presidência rotativa do bloco que dura seis meses. "Eu sei que há um homem produzindo um filme sobre os campos de concentração nazistas", disse ele ao socialista Martin Schulz e acrescentou: "Eu gostaria de sugerir para você o papel de Kapo (guarda escolhido entre os prisioneiros). Você ficaria perfeito." A declaração foi feita depois que Schulz acusou o premiê italiano de estar exportando seus conflitos de interesse em casa para o resto do bloco. Protestos O governo alemão descreveu os comentários como "inaceitáveis" e expressou seu descontentamento ao embaixador italiano em Berlim. Apesar dos gritos de protesto, Berlusconi recusou-se a retirar o que disse, afirmando que havia feito apenas uma "piada". "Eu não poderia imaginar que isso iria ferir os sentimentos de nossos amigos alemães", disse a repórteres. Após o comentário, Schulz disse que não iria responder às declarações por respeito às vítimas do fascismo e foi muito aplaudido por seus colegas. "Mas é muito duro para mim aceitar que um político possa estar exercendo o papel de presidente da União Européia se ele vem com esse tipo de declaração ao ser deparado com um mínimo sinal de contrariedade", afirmou. A "piada" de Berlusconi recebeu críticas até mesmo dentro de seu próprio gabinete. "Nenhuma acusação, nem mesmo a mais guerrilheira, pode justificar o título de nazista para um adversário político", disse o vice-primeiro ministro italiano, Gianfranco Fini, de acordo com a agência Reuters. Imunidade Alguns parlamentares europeus do Partido Verde interromperam o discurso de Berlusconi e ficaram de pé com cartazes que diziam: "A lei é igual para todos" em várias línguas. O protesto aconteceu poucas horas depois de um tribunal italiano de Milão ter arquivado um processo contra Berlusconi, no qual era acusado de prática de surborno. A decisão do tribunal foi tomada após a aprovação de uma lei polêmica no Parlamento italiano concedendo imunidade ao primeiro-ministro do país. Enquanto chefe do governo da Itália, Berlusconi assume a presidência da UE em meio a críticas de políticos e de órgãos da imprensa estrangeiros por ter aprovado uma lei que lhe garantiu imunidade em um processo por corrupção. Em um artigo publicado nesta quarta-feira no jornal britânico The Times, Berlusconi responde a essas críticas dizendo que "ninguém pode dar lições de moral a um governo eleito pelo povo italiano". Entre as prioridades de Berlusconi para a presidência da União Européia estão: uma conferência intergovernamental sobre a Constituição européia em outubro; a promoção da paz no Oriente Médio, talvez com uma conferência de paz na Sicília; um "New Deal" para incentivar projetos de infra-estrutura na Europa financiados por títulos do Banco Europeu de Investimento e discussão de soluções para a imigração e para a Previdência. |
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