|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Al-Rantissi e o Hamas
Abdel-Aziz Al-Rantissi, ferido em um ataque israelense realizado nesta terça-feira, é visto como o mais importante líder político do Hamas em Gaza. Sua influência sobre o grupo islâmico palestino na região só é superada por aquela do xeque Ahmed Yassin, líder espiritual do movimento. Al-Rantissi costuma defender as visões mais radicais do Hamas - entre elas, aquela que sustenta que a resistência armada, e não as negociações diplomáticas, seriam o único meio de se obter o fim da ocupação israelense em territórios palestinos. Ele foi alçado à condição de porta-voz do grupo no início dos anos 90, quando passou a falar à imprensa internacional em nome de cerca de 400 militantes radicais islâmicos expulsos por Israel para o sul do Líbano. Apoio Classificado como um grupo terrorista por Israel e por países do Ocidente, o Hamas é visto pelos seus seguidores como uma organização legítima que luta pelos direitos dos palestinos. Formada há 15 anos, no ínicio da primeira Intifada (levante contra a ocupação), trata-se da maior organização islâmica dos territórios palestinos. Seu objetivo a curto prazo é expulsar todas as tropas israelenses e assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Seu grande projeto é construir um Estado islâmico em toda a Palestina - incluindo o território onde está Israel. O número de militantes do grupo é desconhecido, mas dezenas de milhares de pessoas simpatizam e participam de algum tipo de atividade do Hamas, que oferece serviços sociais como escolas, hospitais e creches à população empobrecida. Há duas esferas principais de atuação do Hamas: uma delas se concentra nos aspectos sociais e religiosos; a outra compreende treinamento militar e a organização de atentados contra Israel. Essas ações costumam ser realizadas pelas brigadas Izzedine Al-Qassam, a ala armada do grupo. Anos 90 O Hamas se credenciou nos anos 90 como principal grupo de oposição ao Acordo de Oslo, firmado entre a Autoridade Nacional Palestina, liderada por Yasser Arafat, e o governo de Israel. Os ataques suicidas se tornaram um de seus principais instrumentos políticos. Sempre que algum avanço importante nas negociações de paz surgia, novos atentados provocavam pesadas retaliações do Exército de Israel, alimentando um ciclo de desconfiança mútua. Ações do gênero levaram os israelenses a desistir do apoio aos trabalhistas que em 1993 firmaram o Acordo de Oslo e a eleger o oposicionista de direita Binyamin Netanyahu em 1996. Segunda Intifada Mais recentemente, após o fracasso da cúpula de paz de Camp David, em julho de 2000, e o início da segunda Intifada, a organização viu sua popularidade aumentar à medida que Israel aumentava o ritmo de suas incursões militares e da ocupação de cidades palestinas. A estrutura de poder da Autoridade Palestina foi praticamente destruída, abrindo um vácuo preenchido pelos radicais do Hamas. O ódio com o agravamento da situação nos territórios levou palestinos das mais diversas afiliações a aplaudir os ataques suicidas contra civis israelenses. Ao mesmo tempo em que ganhou nova base de apoio popular, o Hamas perdeu, no entanto, boa parte de seus líderes e ativistas, perseguidos e mortos pelos militares israelenses. Nos últimos meses, tanto Arafat quanto o premiê palestino, Mahmoud Abbas, tentaram sem sucesso estabelecer um diálogo com os grupos armados para suspender a violência e dar uma chance aos canais diplomáticos. O Hamas chegou a participar de alguns encontros, mas sua liderança continua a defender a resistência armada e critica duramente o novo plano de paz proposto por Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia para o Oriente Médio. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||