Ataques em Paris: Pais enfrentam o desafio de explicar os atentados a crianças

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A visão de uma criança sobre os atentados que deixaram 129 pessoas mortas em Paris está comovendo usuários de redes sociais.

Na entrevista, concedida à TV francesa Canal+, o menino, de seis anos, diz que os atentados ocorreram porque "eles são muito, muito malvados" e que agora as pessoas precisarão se mudar.

O pai do menino interfere e diz que eles não precisam sair de casa. "A França é nossa casa."

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Quando o menino argumenta que os malvados estão no país e têm armas, o pai diz que "eles podem ter armas, mas nós temos flores".

Em seguida, ele mostra ao filho as flores e velas que estão sendo ao colocadas ao redor em homenagem às vítimas.

"As flores e as velas estão aqui para nos proteger", conclui o menino.

Crianças

Explicar os atentados de Paris está sendo difícil para muitos pais.

"É preciso responder as perguntas da forma mais simples e mais honesta possível", diz a psicóloga infantil Amanda Gummer, da organização Fundamentally Children.

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PA

Crédito, PA

Legenda da foto, Menina deixa flores em local de um dos atentados; psicóloga diz que pais devem responder perguntas de forma honesta

Ela diz que crianças pequenas têm imaginação viva e que elas podem acabar vendo notícias, juntando diferentes informações e tendo pesadelos com terrorismo. "Elas não entendem muito a diferença entre algo local, que acontece em sua cidade, e algo que acontece em outra parte do mundo."

Elas também veem o mundo de uma forma mais maniqueísta, de acordo com a psicóloga. Entendem que há o bom e o mau, o certo e o errado, e esperam que os pais possam consertar as situações.

Já crianças mais velhas, diz ela, estão mais preparadas para lidar com a complexidade do evento.

"Neste caso há as redes sociais e o contato com outras pessoas que podem estar demonizando grupos da sociedade. É importante ter certeza de que eles entendam que é um assunto muito complexo e que (quem está fazendo isso) é uma pequena minoria de pessoas - pode parecer um grupo grande por causa das notícias constantes, mas colocar isso em contexto é importante."

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Para a psicóloga, se as crianças não quiserem falar disso não significa que exista um problema. Mas se elas começarem a ter pesadelos ou se mudarem de comportamento, é preciso explicar que é normal ficar confuso ou triste.

EPA

Crédito, EPA

Legenda da foto, Criança durante vigília no Rio; para especialista, resposta depende da idade das crianças

E se a criança perguntar se isso vai acontecer onde ela está?

"A resposta depende da idade, mas não diga que isso não vai acontecer, porque você não pode prometer."

Para Amanda, uma saída é dizer que é improvável e que há pessoas agindo para tentar evitar que isso ocorra.

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Para australiana, foi difícil explicar complexidade dos eventos
Legenda da foto, Para australiana, foi difícil explicar complexidade dos eventos

Para a australiana Kerri, que vive com sua família em Paris, explicar a complexidade do evento foi complicado.

Seus dois filhos assistiram às notícias na TV ao vivo e ficaram muitos preocupados com a captura dos atiradores.

"Eles achavam que, quando eles fosse pegos, tudo terminaria. Foi difícil explicar que isso era algo muito maior", diz ela.

"Acho que ajudou muito o fato de eles terem ido com a gente para os locais de homenagens. Ver a reação na França e em todo mundo ajudou-os a ver que isso não era nada comum, era algo ainda extremamente raro."

"Normalmente as pessoas não conversam com os filhos sobre terrorismo. Então tivemos que improvisar. Fizemos o melhor que a gente pôde", diz o pais das crianças, o francês Nicolas.