Mostra em Londres revela passado de fome da ícone Audrey Hepburn

Crédito, Manon Van Suchtelen
- Author, Fiona Macdonald
- Role, Da BBC Culture
Um dos maiores ícones de Hollywood - e também cultuada por seu estilo e elegância – a atriz britânica de origem belga Audrey Hepburn é tema de uma exposição inaugurada na semana passada na National Portrait Gallery, em Londres.
A mostra revela que, antes da vida de glamour do cinema, Hepburn passou fome e sentiu de perto os horrores da Segunda Guerra Mundial.
Sua trajetória é recontada por uma série de fotografias e por seus dois filhos, Sean Ferrer e Luca Dotti.
Aqui estão alguns destaques da exibição.
Holanda, 1942
Durante a Segunda Guerra Mundial, Hepburn era adolescente e morava na Holanda com a mãe. Nesse período, as duas viveram os horrores do conflito, chegando a passar fome e sofrer de desnutrição.
Voltaram a Londres após o fim do confronto, em 1945, quase sem dinheiro e ainda fragilizadas.
A atriz seria assombrada por essas memórias pelo resto da vida. Em 1991, dois anos antes de sua morte, ela contou, em entrevista: "Eu me lembro muito daquela época. Várias vezes, na estação, vi trens sendo lotados de judeus partindo. Me lembro de um menino pequeno com os pais, muito pálido, muito louro, esperando na plataforma e depois entrando no trem. Eu era uma criança observando outra criança".
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Início de carreira em Londres, 1950

Crédito, Getty
"Lembro-me de quando minha mãe veio visitar meu primeiro apartamento de estudante em Londres. Ela se comoveu e eu não entendi por quê. Seus olhos sonhadores estavam enxergando coisas que eu não conseguia enxergar", descreve Luca Dotti no livro que acompanha a exposição, Portraits of an Icon ("Retratos de um ícone", em tradução literal).
"Para ela, Londres representava uma época de cura e de esperança – uma transição entre a infância e a vida adulta, entre a tragédia e a fama".
'Olhos fascinantes', 1955

Crédito, Antony beauchamp
Apesar de Hepburn ter estudado para ser bailarina, nunca conseguiu ascender na carreira por causa de seu corpo frágil – resultado da desnutrição vivida durante a guerra.
Mas mesmo atuando como corista, ela conseguiu chamar a atenção do fotógrafo da alta sociedade Antony Beauchamp, que a viu no teatro em 1949. "Tudo o que eu conseguia pensar era naqueles olhos fascinantes, que nunca paravam quietos. Eles pareciam transbordar com uma alegria jovial", afirmou ele, certa vez.
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Descoberta ao acaso, 1951

Crédito, Audrey Hepburn Estate
A escritora francesa Colette (na foto com Hepburn) notou a atriz em um lobby de hotel em Mônaco quando planejava montar a peça Gigi, baseada em seu romance de mesmo nome, de 1944. Ela imediatamente percebeu que tinha encontrado a estrela do espetáculo.
"Qual o autor que não sonha em um dia encontrar uma de suas criações em carne e osso? Essa jovem desconhecida era a minha Gigi ao vivo e a cores!", revelou Colette.
Mais tarde, Hepburn viria a representar Gigi na Broadway.
Parceria de estilo, 1955

Crédito, Norman Parkinson
Hepburn escolheu três vestidos do estilista Hubert de Givenchy para o filme Sabrina, de 1954, dando início a uma longa amizade.
A elegância de Givenchy colocou Hepburn em outro nível entre as demais atrizes da época. A lendária revista Silver Screen afirmou, na época, que ela "estava mudando o padrão das mulheres hollywoodianas".
Em uma indústria onde a imagem era rigidamente controlada, Hepburn usou a moda para definir sua individualidade, distanciando-se do estilo pin-up de contemporâneas como Marilyn Monroe e Jane Russell.
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Revista LIFE, 1954

Crédito, Magnum Photos
Segundo a curadora da exposição em Londres, Helen Trompeteler, a imagem de Hepburn não se consolidou apenas por suas aparições no cinema. Os rostos de atores e atrizes se popularizavam por causa dos cartazes dos filmes ou por ensaios fotográficos em revistas.
O fotógrafo Mark Shaw, que registrou Hepburn durante as filmagens de Sabrina para a revista LIFE, recorda-se do magnetismo da atriz. "Audrey é a adulta mais infantilizada e a menina mais moleca que eu já fotografei", afirmou ele. "Eram muitas mulheres embrulhadas em uma só."
'Como Roubar Um Milhão de Dólares', 1966

Crédito, Douglas Kirkland
Enquanto muitos dos papéis de Hepburn a mantinham em um estado de eterna adolescência, Bonequinha de Luxo, de 1961, marcou uma virada em sua carreira.
Depois que Marilyn Monroe foi aconselhada a desistir do papel da garota de programa Holly Golightly, Hepburn aceitou o desafio, dizendo: "Você só consegue vender o que o público quer... e isso é o que eles querem agora".
Hepburn teve que se adaptar para se enquadrar nas exigências dos anos 60, deixando uma imagem pública construída com atuações de princesas e freiras, e adotando uma abordagem mais marcante.
Quando um cabeleireiro parisiense criou um corte para a atriz usar em Como Roubar Um Milhão de Dólares, a revista Vogue americana publicou um passo a passo para que as leitoras pudessem copiá-lo.
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Sabrina, 1954

Crédito, Paramount Pictures
"Reconhecida em todo o mundo como um ícone da moda, Hepburn tinha um estilo lendário que parecia simples, atingível e até andrógino, mas que era ao mesmo tempo impecavelmente sofisticado", descreve Trompeteler no livro Portraits of an Icon.
"Essas qualidades camaleônicas permitiram a Hepburn a remar contra a corrente das expectativas de gênero de sua época, tanto através de sua carreira no cinema quanto por sua bem cuidada imagem", afirma a curadora.
A Vogue disse, certa vez, que "a atriz capturou tanto o imaginário do público e o espírito daquela época que estabeleceu um novo padrão de beleza".
Novo ideal feminino, 1960

Crédito, Cecil Beaton Archive
Muitas personagens encarnadas por Hepburn no cinema espelharam a transformação estilo Cinderela que ela mesma viveu na realidade.
"Assim como Eliza Doolittle (sua personagem em My Fair Lady, de 1964), ela teve que aprender tudo: a falar... e a conviver com seus defeitos, reais ou imaginários: ela se achava muito alta e magra demais", conta seu filho.
O resto do mundo discordava. Em 1954, o fotógrafo Cecil Beaton a elogiou como a representante de um novo ideal feminino.
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<italic>Leia<link type="page"><caption> a versão original desta reportagem em inglês</caption><url href="http://www.bbc.com/culture/story/20150703-audrey-hepburn-an-icon-who-knew-the-horrors-of-war" platform="highweb"/></link> no site <link type="page"><caption> BBC Culture</caption><url href="http://www.bbc.com/culture/" platform="highweb"/></link>.</italic>












