Rússia libera envio de sistema de mísseis ao Irã

Sistema de defesa russo voltará a ser fornecido a Teerã

Crédito, AP

Legenda da foto, Sistema de defesa russo voltará a ser fornecido a Teerã

A Rússia suspendeu, nesta segunda-feira, um veto ao fornecimento de armamentos sofisticados ao Irã, gerando preocupação nos Estados Unidos e em Israel.

Decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin autorizou "o envio da Rússia ao Irã" do S-300, sistema de mísseis de defesa antiaérea - envio que havia sido cancelado em 2010 após a ONU ter imposto sanções a Teerã por conta de seu programa nuclear.

O Kremlin recuou do veto após o anúncio de acordo preliminar entre potências internacionais e Irã - em que o país persa concorda com inspeções e restrições ao seu programa nuclear em troca de alívio às sanções internacionais. O acordo, do qual a Rússia faz parte, só será formalizado no final de junho.

O contrato entre Teerã e Moscou envolve US$ 800 milhões (R$ 2,5 milhões), e o governo iraniano entrou com processo judicial pedindo compensação bilionária após sua suspensão.

Israel, forte opositora do acordo nuclear Estados Unidos-Irã, criticou o anúncio.

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"Isso é resultado direto da legitimidade obtida pelo Irã com o acordo nuclear emergente", disse o ministro israelense de Inteligência, Yuval Steinitz.

Ele argumenta que isso "prova" que o Irã planeja usar o alívio nas sanções para comprar armas, em vez de investir no bem-estar da população.

'Defensivo'

Mas o chanceler russo, Serguei Lavrov, alega que os mísseis são "totalmente defensivos" e não representam ameaça à segurança de nenhum país.

Entre adversários do Irã, há o temor de que o sistema seja usado justamente para proteger usinas nucleares de eventuais ataques.

O S-300 é um sistema de mísseis que pode disparar contra alvos múltiplos, incluindo jatos, ou para derrubar outros mísseis.

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Ainda não está claro quando ele será entregue a Teerã.

O ministro da Defesa do Irã, Hossein Dehgan, elogiou a decisão do Kremlin, dizendo que é um passo "para a estabilidade e a segurança na região", segundo a imprensa estatal.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado afirmou que o assunto foi levantado pelo secretário John Kerry em conversa com Lavrov, mas o conteúdo da conversa não foi detalhado.