Três meses após alerta da ONU, nova tragédia no Mediterrâneo mata 300

Crédito, AP
Ao menos 300 pessoas morreram nesta semana em virtude de naufrágios, no Mediterrâneo, de embarcações que tentavam fazer a travessia da África para a Europa.
Essas mortes trágicas vieram três meses depois de a ONU alertar a Itália que seria um erro pôr fim à operação Mare Nostrum, que, apenas em 2014, ajudou a resgatar mais de 200 mil pessoas das águas do Mediterrâneo.
Nove sobreviventes foram resgatados pela guarda costeira italiana e levados para Lampedusa, ao sul da Itália.
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Acredita-se que os imigrantes tenham partido da Líbia, no norte da África, em quatro barcos no último sábado.
O diretor da agência de refugiados da organização, Vincent Cochetel, considerou o incidente uma " enorme tragédia".
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"Mais vidas podem ser perdidas se aqueles em busca de segurança forem deixados à mercê da própria sorte em alto mar", disse Cochetel.
Travessia perigosa
Segundo a ONU, cerca de 3,5 mil pessoas morreram ao tentar cruzar o Mediterrâneo para chegar à Europa em 2014, tornando esta a travessia oceânica mais perigosa do mundo para imigrantes.
Mais de 200 mil foram resgatadas no mesmo período, muitas delas pela operação italiana Mare Nostrum.
A operação foi lançada em outubro de 2013, como resposta à morte de 366 imigrantes em um naufrágio próximo a Lampedusa. A operação foi encerrada em novembro.
Hoje, a União Europeia comanda uma operação de controle de fronteira conhecida como "Triton", com menos navios e atuando em uma área menor.

Crédito, Reuters
Promessa
Mathew Price, correspondente da BBC na Itália, disse que não dá para afirmar com certeza que as mortes desta semana teriam sido evitadas se a Itália não tivesse encerrado a operação "Mare Nostrum".
Ele explica que a operação "Triton" não busca prevenir naufrágios. Apenas entra em ação quando as pessoas já estão em risco.
"A operação italiana era diferente. Os navios e suas tripulações tinham um único objetivo: prevenir mortes."
Em novembro, em um discurso diante do Parlamento europeu, o papa Francisco pediu que fosse organizada "uma resposta coletiva para a questão da imigração", alertando que o Mediterrâneo não poderia se tornar um "grande cemitério".












