Investigadores suspeitam de falha em dispositivo de freio em acidente da Virgin Galactic

Crédito, Reuters
Investigadores que analisam as causas da queda da espaçonave de turismo SpaceShipTwo anunciaram nesta segunda-feira que um freio usado para a reentrada da nave na atmosfera foi acionado à revelia dos pilotos durante o voo de teste na última sexta-feira.
Porém, o chefe da comissão investigadora, Cristopher Hart, disse que ainda é cedo para confirmar se a falha pode ter sido uma das causas do acidente que matou um dos pilotos e deixou o outro gravemente ferido no Deserto do Mojave, Califórnia (EUA).
O piloto morto no teste foi identificado como o americano Michael Alsbury, de 39 anos. Seu colega, Peter Siebold, de 43, conseguiu saltar de paraquedas.
Ambos trabalhavam para a Scaled Composites, empresa para a qual a Virgin Galactic terceirizara as operações de seu projeto de oferecer voos para "turistas espaciais".
No domingo, os investigadores disseram que poderia levar até um ano para encontrar uma explicação para o acidente. A empresa dona da aeronave, a Virgin Galactic, também especulara sobre possíveis problemas com um novo tipo de combustível.
No entanto, ambos os tanques e o motor da SpaceShip 2 foram encontrados intactos nas operações de busca.
"Os dados de telemetria mostram que a espaçonave foi lançada normalmente e o motor teve ignição sem problemas. Nove segundos depois, os dados mostram que o freio foi acionado", explicou Hart.

Crédito, Getty
"Mas gostaria de enfatizar que ainda não é possível determinar as causas do acidente. Temos meses e meses pela frente para determinar o que aconteceu. Estaremos avaliando os procedimentos de treinamento dos pilotos, analisando a segurança, o projeto estrutural. Temos muito a fazer".
<link type="page"><caption> Leia mais: Causa de explosão de nave 'turismo espacial' só em um ano</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141102_spaceship_investiga_doisanos_rp" platform="highweb"/></link>
Testes
No entanto, a comissão investigadora não proibiu a Virgin Galactic de prosseguir com os testes.
E a empresa negou que tivesse negligenciado a segurança da aeronave ou dos pilotos, apesar dos seguidos adiamentos no início das operações de "turismo espacial".
A mídia britânica especulou durante o fim de semana que as pressões do cronograma tinham levado a Virgin Galactic a acelerar o número de testes.
No domingo, em entrevista à BBC concedida na Base Espacial de Mojave, onde a nave estava sendo desenvolvida, o dono da Virgin Galactic, o bilionário Richard Branson, disse que "ninguém subestima os riscos envolvidos na viagem espacial".
Ele afirmou ainda que acidentes nas primeiras tentativas do homem de desenvolver a aviação comercial não impediram que o meio de transporte se tornasse o mais seguro.

Crédito, Reuters
"Devemos a nossos pilotos de testes descobrir o que saiu errado e, quando descobrirmos, poderemos superar isto e vamos garantir que o sonho continue", disse o bilionário.
Segundo Branson, a Virgin Galactic e os parceiros no projeto estão "realizando um amplo programa de testes há muitos anos e a segurança sempre foi a prioridade número um".
Acidente
O plano original da Virgin Galactic era lançar o primeiro voo sub-espacial a partir do ano que vem. Mais de 700 pessoas já tinham feito reservas, apesar do preço altíssimo da passagem - cerca de R$ 625 mil.
A SpaceShipTwo estava realizando o primeiro voo teste em nove meses quando explodiu logo depois da decolagem perto da cidade de Bakersfield, na Califórnia, EUA.
De acordo com o editor de Ciência da BBC, David Shukman, mesmo quando a causa do acidente for descoberta, este será um grande problema para a Virgin, "uma companhia que tentava ser a pioneira em um novo setor, turismo espacial”.
“Confiança é tudo e isto não vai estimular a longa lista de celebridades e clientes milionários esperando pelo primeiro voo", diz Shukman.
Branson seria passageiro da viagem inaugural, mas celebridades como o cantor Justin Bieber e os atores Tom Hanks e Leonardo Di Caprio teriam entrado na fila.












