Após apoiar Serra em 2010, 'Economist' pede voto em Aécio

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Legenda da foto, Ilustração do artigo da Economist mostra Carmem Miranda com frutas podres no turbante

A revista britânica The Economist defendeu o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, em artigo publicado nesta quinta-feira, 11 dias antes das eleições. "Neves merece vencer. Ele fez uma campanha persistente e provou que pode fazer suas políticas econômicas funcionarem", disse a publicação.

Em 2012, a Economist foi criticada pela presidente Dilma Rousseff após a revista pedir a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. No ano seguinte, a publicação voltou a fazer duras críticas ao PT e comparar Dilma à presidente argentina Cristina Kirchner - pelo que disse ser demasiada interferência na economia do país.

Um artigo publicado pouco antes do segundo turno das eleições em 2010 defendia o então candidato do PSDB José Serra, dizendo que ele "seria um presidente melhor do que Dilma Rousseff".

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Mudança

O artigo desta quinta-feira, intitulado "Por que o Brasil precisa de mudança", a revista volta a afirmar que a promessa de crescimento deixada pelo governo Lula deixou de ser cumprida. E diz que, após os protestos "era de se esperar que os brasileiros dispensassem Dilma já no primeiro turno".

Aécio Neves, de acordo com a Economist, "está tendo dificuldades em persuadir os brasileiros mais pobres de que as reformas que ele defende - de que o país necessita urgentemente - irão beneficiá-los, e não prejudicá-los".

"Se o Brasil quiser evitar outros quatro anos à deriva, é vital que ele consiga fazê-lo", afirma.

O principal trunfo de Dilma, segundo a revista é "a gratidão popular pelo pleno emprego, maiores salários e uma série de programas sociais eficientes - não só a transferência de renda do Bolsa Família, mas casas a preços populares, bolsas estudantis e programas de eletricidade e água no Nordeste".

"São verdadeiras conquistas. Mas ao lado delas estão erros maiores, mas pouco palpáveis, na economia e na política".

A Economist defende as propostas de Aécio Neves para a condução da política econômica e diz que ele é assessorado por uma equipe "impressionante", citando o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

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De acordo com a publicação, a campanha de Dilma tem se beneficiado de "falhas de Neves como candidato", como a suspeita gerada pela descoberta de gasto de dinheiro público na construção do aeroporto em Cláudio (MG), em terras de um parente, mas afirma que, "com sorte", o apoio de Marina Silva ajudará a elegê-lo.

Em evento nesta sexta-feira, a presidente Dilma comentou o posicionamento da publicação: "As revistas do mundo, tanto estrangeiras quanto nacionais, têm direito de tomar uma posição política. Agora, eu sei a filiação da Economist, é uma revista ligada ao sistema financeiro internacional".

Contexto

"É de se esperar, porque é uma revista de posicionamento liberal, economicamente falando", disse à BBC Brasil o economista e professor da ESPM Rio Roberto Simonard.

"A política da Dilma é mais intervencionista do que a do Lula e a Economist acha que este maior grau de intervenção seria o responsável pelo Brasil estar apresentando menores índices de crescimento. Junte-se a isso o fato de que Armínio Fraga, cotado como ministro da Fazenda de Aécio, é alguém muito respeitado no exterior."

Simonard diz não acreditar que o artigo poderá ter impacto entre os eleitores brasileiros. "Pouca gente lê The Economist. Mesmo que a campanha de Aécio use o artigo, isso é algo que tem dois lados. Pode ser visto como uma coisa positiva ou negativa, por ser considerado intervenção estrangeira", diz.

No início de outubro, a revista de economia americana Forbes publicou, em seu portal online, um artigo dizendo que "o Brasil está melhor" após Dilma e que ela deverá fazer as mudanças necessárias na política econômica. Um mês antes, a mesma revista havia chegado a listar "cinco razões pelas quais a presidente Dilma Rousseff não deve ser reeleita", mas voltou atrás.