Premiê do Iraque aceita renunciar para dar fim a entrave político

Maliki renuncia (AP)

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Legenda da foto, A renúncia de Nouri Maliki (ao centro) deu fim a oito anos de um governo bastante polêmico

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, aceitou renunciar para dar fim a um entrave polítivo em Bagdá em meio aos conflitos de insurgentes com o governo do país.

O anúncio foi feito ao vivo na TV estatal iraquiana. Isso abre caminho para que Haider al-Abadi, vice-líder do Parlamento, assuma o posto.

O presidente do Iraque já havia pedido que Abadi formasse um novo governo, e Maliki estava sob pressão para dar lugar a Abadi.

A movimentação ocorre em meio a um momento de crise no país. Forças iraquianas e curdas estão combatendo o grupo jihadista conhecido como Estado Islâmico (anteriormente conhecido como ISIS) no norte do país.

Novo caos

Combatentes curdos (Reuters)

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Legenda da foto, Iraque vive novo momento de caos

O rápido avanço do grupo nesta região levou o Iraque de novo ao caos, gerando uma crise de segurança e humanitária.

Em 29 de junho, os jihadistas disseram ter criado um califado, ou Estado Islâmico, que vai de Aleppo, na Síria, à província de Diyala, no Iraque.

A ONU estima que esta crise tenha feito com que 1,2 milhões de iraquianos deixassem suas casas.

Maliki apareceu na TV ao lado de Abadi e outros políticos da maioria muçulmana Shia. Ele comentou sobre a séria ameaça "terrorista" representada pelo Estado Islâmico antes de anunciar sua renúncia.

Maliki insistia que ele deveria ter o direito de formar um novo governo pois é o líder do maior bloco político do Parlamento.

Governo controverso

Abadi (AFP)

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Legenda da foto, Abadi é visto como um político moderado

A renúncia deu fim a oito anos de um governo controverso, acusado de favorecer a maioria Shia do país.

Abadi é um dos políticos mais experientes do Iraque, tendo ocupado diversos cargos de alto escalão desde que retornou do exílio em 2003.

Ele é considerado por alguns como um político de posição moderada dentro do partido de Maliki, o Dawa, e já demonstrou estar mais disposto a fazer concessões que seu antecessor.

Hoje mais cedo, o presidente americano, Barack Obama, ofereceu seu apoio a Abadi.

"Ele tem o desafio de formar um governo, mas temos alguma esperança de que a situação seguirá na direção correta", disse Obama.

Fim do cerco

Refugiados (Reuters)

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Legenda da foto, Crise gerou 1,2 milhão de refugiados

O presidente americano também anunciou que o Exército dos Estados Unidos deu fim ao cerco a dezenas de milhares de refugiados, a maioria deles de minorias religiosas cristãs e yazidi, no Monte Sinjar, uma montanha no norte do Iraque, por militantes do Estado Islâmico.

Ele afirmou, no entanto, que os ataques aéreos aos membros do Estado Islâmico continuarão, assim como o envio de ajuda humanitária.

Milhares de yazidis agora estão em campos de refugiados na região curda do Iraque, a maioria deles carregando nada além de suas próprias roupas, segundo relatos da AFO da cidade de Dohuk, onde estão cerca de 150 mil refugiados.

As condições nestes campos são críticas, com um homem, Khodr Hussein, dizendo: "Deixamos de passar no Sinjar para passar fome neste campo".

A ONU declarou que o Iraque passa no momento pelo mais elevado nível de emergência possível por conta disso.

Segundo o órgão, declarar um "estado de emergência nível 3" facilitará a mobilização de recursos materiais e financeiros para ações humanitárias.