Para Sarkozy, caso contra ele é 'grotesco' e tem intenção de humilhá-lo

Crédito, Reuters
O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy disse, após ser detido por suspeita de envolvimento em tráfico de influência, que o sistema judiciário do seu país estaria sendo usado para "fins políticos".
Em uma entrevista à TV, Sarkozy negou ter cometido qualquer ato ilegal.
Ele disse que o caso "grotesco" contra ele teria a intenção de humilhá-lo e prejudicar sua reputação.
Sarkozy é suspeito de ter conseguido ficar a par do andamento de investigações ligadas a processos judiciais anteriores contra ele - em que havia a acusação de financiamento ilegal de campanha - através de uma rede de informantes na polícia e na própria Justiça francesa.
Sarkozy também teria prometido ajudar um juiz da Corte de Cassações, Gilbert Azibert, a obter um cargo prestigioso em Mônaco em troca de informações sobre esses processos.
O ex-presidente foi detido na terça-feira para interrogatório - a primeira vez que a Justiça francesa prende um ex-chefe de Estado.
O correspondente da BBC em Paris Hugh Schofield, disse que Sarkozy acusa membros de esquerda do poder Judiciário de tentar derrubá-lo e evitar seu retorno à política.
'Chocado'
A entrevista, gravada para a rede de TV francesa TF1 e à rádio Europe 1, foi transmitida no início da noite desta quarta-feira.
Nela, Sarkozy disse: "A situação é bem grave, e devo dizer ao povo francês que hoje estamos diante de uma exploração política do sistema judiciário".
"Eu digo a todos aqueles que estão ouvindo ou assistindo que eu nunca trai ou cometi qualquer ato contra os princípios da República e do Estado de direito."
Sarkozy disse que está "profundamente chocado" com a investigação e acusou o sindicato dos magistrados de tentar destruí-lo.
"Tudo está sendo feito para me imputar uma reputação que não é verdadeira", disse.
Ele também se disse indignado com a maneira como foi convocado, dizendo que a detenção formal tinha "uma intenção de humilhá-lo."
Mais cedo, o primeiro-ministro, Manuel Valls, insistiu que a investigação estava sendo realizado de forma independente do governo socialista.
Falando à TV francesa, ele disse que "ninguém está acima da lei", mas acrescentou que é importante lembrar que "há a presunção de inocência."
Financiamento de campanha
Sarkozy foi liberado em torno de meia-noite de terça-feira.
Quando um suspeito é convocado para investigação formal, ele é interrogado por um juiz, que determina se há provas suficientes para mantê-lo sob custódia.
O crime de tráfico de influência pode levar à punição de até 10 anos de prisão e uma multa de 150 mil euros (cerca de R$ 450 mil).












