Líder ucraniano anuncia trégua e prepara plano de paz

Crédito, AFP
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou um cessar-fogo unilateral no combate a grupos pró-Rússia no leste do país.
Espera-se que a medida seja o primeiro passo da implementação de um plano de paz a ser apresentado oficialmente nesta sexta-feira.
Segundo David Stern, correspondente da BBC News em Kiev, ainda não está claro como esse plano de paz seria implementado nem qual será a reação dos rebeldes, que não dão sinais de que baixarão suas armas.
"A Rússia também envia sinais contraditórios ao reagir favoravelmente ao plano de paz e ao mesmo tempo enviar tropas para sua fronteira com a Ucrânia", diz Stern.
"Poroshenko obviamente está ciente de tudo isso. Ainda resta saber o que ele fará se o plano de paz falhar."
Cessar-fogo
O cessar-fogo foi estabelecido um dia depois da segunda conversa travada entre Poroshenko e o presidente russo, Vladimir Putin.
Ao anunciá-lo, o presidente ucraniano alertou que a trégua "não significa que a Ucrânia não revidará agressões contra suas tropas", mas dará tempo para os rebeldes se desarmarem.
"Faremos de tudo para proteger nosso território", disse o presidente ucraniano.
Agências de notícias ucranianas informaram que um comandante de alto escalão dos grupos rebeldes disse que eles não abandonarão a luta até que as forças do governo deixem as cidades de Donetsk e Luhansk, onde o conflito vem sendo travado nas últimas semanas.
Plano de paz

O plano de paz proposto por Poroshenko será apresentado nesta sexta-feira e inclui 14 medidas, entre elas o desarmamento no leste, a descentralização desta região e uma eleição parlamentar local a ser realizada em breve.
O plano ainda prevê a criação de uma zona-tampão de 10km na fronteira da Ucrânia com a Rússia e um corredor de segurança para que os separatistas pró-Moscou deixem as áreas de conflito.
O ministro da Defesa da Ucrania, Mykhaylo Koval, disse ao Parlamento nesta sexta-feira que as fronteiras ucranianas foram fechadas na última semana a veículos militares.
No entanto, três tanques e 10 lançadores de foguetes já teriam entrado no país.
"Estamos monitorando esses veículos", disse Koval. "Assim que eles estiverem sob nossa mira, abriremos fogo."
Reação russa
Enquanto isso, Dmitriy Peskov, porta-voz de Putin, afirmou que o presidente ordenou que medidas fossem tomadas para "fortalecer as fronteiras russas".
Ele refutou, porém, as declarações feitas pelo secretário-geral da ONU, Fogh Rasmussen, de que alguns milhares de soldados russos haviam sido deslocados para a área de fronteira.
Ao discutir o plano de paz com Poroshenko, Putin disse ter esperança que seria dada prioridade "à resolução dos problemas que levaram aos protestos no leste da Ucrânia", informou o Kremlin num comunicado.
O país vive conflitos internos e um clima de tensão com os russos desde que o presidente Viktor Yanukovych, que era próximo de Moscou, foi deposto e a península da Crimeia foi anexada pela Federação Russa.
Yanukovych havia se recusado a assinar um acordo comercial com a União Européia em prol de uma aproximação com a Rússia.
Na quinta-feira, Poroshenko disse que assinará esse controverso acordo no dia 27 de junho.












