Rússia é isolada em votação sobre a Crimeia na ONU

Conselho de segurança analisa rascunho de resolução sobre referendo (foto: AP)

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Legenda da foto, Decisão da China de se abster em votação de esboço de resolução isola Ríssia na ONU

Moscou vetou um rascunho de resolução da ONU criticando a realização de um referendo na Crimeia, sul da Ucrânia, neste domingo. A Rússia foi o único membro do Conselho de Segurança a votar contra o documento. Enquanto isso, Kiev acusou os russos de invadirem um vilarejo ao norte da Crimeia.

A China, considerada uma aliada da Rússia no assunto, se absteve na votação da resolução.

As potências ocidentais criticaram o veto russo ao referendo, que perguntará aos cidadãos da Crimeia neste domingo se querem que sua região seja anexada à Rússia.

Nas Nações Unidas, 13 membros do Conselho de Segurança apoiaram uma resolução que solicitava a todos os países que respeitem a integridade territorial da Ucrânia classificando o referendo como ilegal.

A abstenção da China isolou a Rússia. Segundo o correspondente da BBC em Nova York Nick Bryant, a China e a Rússia normalmente votam em conjunto no Conselho de Segurança.

Mas Pequim é sensível a assuntos de integridade territorial, pois teme que ao apoiar a Rússia poderia enviar uma mensagem às suas próprias regiões rebeldes do Tibet e Xinjiang.

O referendo foi convocado pelo Parlamento da Crimeia depois que os parlamentares apoiaram de forma massiva a anexação pela Rússia.

Na manhã deste sábado, o Parlamento da capital ucraniana, Kiev, decidiu que a consulta é inconstitucional e votou para dissolver o Parlamento da Crimeia.

Nova invasão

Enquanto as pontências travavam embates diplomáticos na ONU, a o governo de Kiev acusou forças russas de invadirem uma nova região da Ucrânia - um vilarejo ao norte da península da Crimeia.

A chancelaria da Ucrânia disse que 80 militares tomaram a vila de Strilkove com o apoio de quatro helicópteros de ataque e três blindados.

Um oficial russo que não revelou seu nome disse ao jornal ucraniano Pravda-Ukraine que a ação teria como objetico proteger uma estação de distribuição de gás contra "ataques terroristas".

Kiev exigiu a retirada imediata das tropas da região e disse que se reserva o direito de usar os meios necessários para impedir a continuidade da incursão.

Não foi possível obter uma confirmação imparcial sobre a possível nova invasão. Moscou não comentou as acusações.

Intervenção

A Rússia realizou uma intervenção na península da Crimeia após a queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovych em 22 de fevereiro. Ele adotava uma atitude pró-Moscou.

Yanukovych provocou meses de protestos populares na Ucrânia após rejeitar um acordo que aproximaria o país da União Europeia e depois tomou medidas que colocaram o país ainda mais na área de influência da Rússia.

A Crimeia era parte da Rússia até 1954 e muitos de seus residentes são russos étnicos – muitos dos quais preferem ser governados por Moscou e não por Kiev.

A esquadra russa do Mar Negro também permanece baseada na Crimeia e sria uma das razões estratégicas para a intervenção do Kremlen na Ucrânia.