Espanha abandona construção de resort de cassinos Eurovegas

Cassino em Macau, que foi operado pela Las Vegas Sands (AP)
Legenda da foto, Acima, cassino em Macau; operadora e governo não entraram em acordo para criar complexo semelhante em Madri

Foi abandonado nesta sexta-feira o plano de criar um gigantesco complexo de cassinos perto de Madri - batizado de Eurovegas -, após desentendimentos entre a operadora e as autoridades espanholas.

A operadora americana de cassinos Las Vegas Sands desistiu do projeto de US$ 30 bilhões, que incluiria seis cassinos, 12 hotéis e diversas lojas.

A expectativa era de que o projeto criasse até 250 mil empregos diretos e indiretos - algo que teve forte repercussão na Espanha, onde a taxa de desemprego chega a 27%.

Mas as autoridades espanholas não concordaram com diversas demandas da operadora americana.

A Las Vegas Sands queria garantias do governo quanto a futuras mudanças em políticas que pudessem afetar a rentabilidade do resort - além de reduções nos impostos sobre os jogos de azar.

Houve desacordos também quanto ao fumo no local. A Las Vegas Sands queria que o resort ficasse isento das restrições ao cigarro impostas na Espanha.

Interesses

Em uma entrevista coletiva após a reunião ministerial semanal, a vice-premiê espanhola, Soraya Saenz de Santamaría, disse que "novas condições quanto a impostos e proteção legal não puderam ser atendidas".

"O governo precisa preservar os interesses gerais de todos os espanhóis", argumentou.

Em comunicado, o executivo-chefe da Las Vegas Sands, Sheldon Adelson, disse que "ainda que o governo e muitos outros tenham trabalhado com afinco no esforço (de construir o resort), não vemos saída sob os critérios estipulados para avançar nesse projeto de larga escala".

Ele afirmou que sua empresa vai focar no avanço do turismo de jogos de azar em países asiáticos, com a construção de resorts em países como Japão e Coreia do Sul.

Madri fora escolhida para o projeto do Eurovegas após uma longa disputa com Barcelona, que também se interessara pelo investimento.

Ao mesmo tempo, o plano foi alvo de ampla oposição de grupos como a Igreja Católica, que argumenta que o resort estimularia a prostituição e a criminalidade.