França e Itália vão patrulhar costa da Tunísia

Crédito, BBC World Service
- Author, Assimina Vlahou
- Role, De Roma para a BBC Brasil
Itália e França anunciaram nesta sexta-feira que vão patrulhar a costa da Tunísia para bloquear o fluxo ilegal imigrantes.
Segundo o ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, um dos objetivos do acordo assinado em Milão é pressionar a União Europeia para que tome medidas contra a imigração ilegal para a região.
"Decidimos realizar patrulhamentos conjuntos da costa tunisiana entre a Itália e a França para impedir as saídas da Tunísia e cobrar da União Europeia um combate a imigração clandestina", afirmou Roberto Maroni, ao final do encontro.
A medida anunciada teria o objetivo de dissipar, ao menos em parte, a tensão criada pela decisão italiana de conceder visto temporário aos cerca de 20 mil imigrantes que chegaram na ilha de Lampedusa do começo do ano até o dia 5 de abril.
O visto tem validade de seis meses e permite aos imigrantes acesso aos países europeus que fazem parte do tratado de Schengen, que prevê a livre circulação.
Objetivo
Com esta iniciativa, o governo italiano pretendia facilitar a saída dos imigrantes já que, segundo as autoridades, a maioria não pretende permanecer na Itália, mas seguir para a Alemanha e, sobretudo, para a França, onde teriam familiares residentes.
Mas na avaliação do ministro do Interior francês, este visto não é suficiente para entrar na França.
"O visto temporário concedido pelo governo italiano abre a possibilidade de livre circulação mas, segundo a legislação, é preciso ter documentos e recursos financeiros para entrar", afirmou Claude Guetan após o encontro de Milão.
De acordo com o ministro francês, cada país deverá avaliar se o imigrante tem as condições necessárias para ser aceito.
Lampedusa
Desde o inicio de 2011, cerca 23 mil pessoas provenientes do norte da África desembarcaram em território italiano. São sobretudo de tunisianos, mas também líbios, eritreus e somalis, que fogem de situações de violência em seus países.
As embarcações com centenas de pessoas atracam sobretudo na ilha de Lampedusa, que chegou a contar um número de imigrantes maior do que o de habitantes.
Até a semana passada, cerca de 6 mil imigrantes lotavam Lampedusa, vivendo em barracas improvisadas e em péssimas condições de higiene, situação que provocou fortes protestos dos moradores.
Posteriormente, a ilha foi quase totalmente esvaziada de imigrantes, após operações realizadas pelas autoridades italianas que os levaram para outras regiões da Itália, onde ficarão à espera do visto temporário ou de serem repatriados.












