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O partido governista do Egito propôs nesta quinta-feira diálogo ao manifestantes de oposição do país, que realizaram o terceiro dia consecutivo de protestos contra o governo do presidente Hosni Mubarak.
Digo sim ao diálogo, à divisão de poder e à troca de opiniões, mas de maneira pacífica e legal, declarou em uma coletiva o secretário-geral do Partido Democrático Nacional, Safwat El-Sherif.
Sherif não ofereceu, no entanto, qualquer concessão aos manifestantes, que pedem a saída de Mubarak, nem indicou como o governo enfrentará as demandas populares relacionadas ao desemprego e à pobreza.
Enquanto isso, nas ruas de cidades como Cairo, Suez e Ismaília, os manifestantes desafiaram o veto do governo de novos protestos e foram reprimidos pela polícia.
O político oposicionista Mohamed El-Baradei chegou ao Cairo nesta quinta-feira e prometeu se unir aos manifestantes na sexta-feira, dia em que as passeatas devem se intensificar.
Ao deixar Viena, onde mora, rumo ao Cairo, Baradei se disse pronto para liderar a transição pacífica no Egito, caso seja a vontade do povo.
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A oposicionista Irmandade Muçulmana, grupo banido no Egito, também declarou apoio aos protestos.
Confrontos
Segundo a imprensa do país, houve diversos confrontos durante a noite em bairros próximos à região central do Cairo, onde se concentram os grandes protestos que exigem a renúncia de Mubarak, há 30 anos no poder.
Em Ismaília, centenas de pessoas entraram em choque com policiais, que usaram bastões e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Nesta quinta-feira, um manifestante foi morto a tiros na região do Sinai (leste do país), elevando para sete o número de mortos ao longo de três dias de protesto. Estima-se que cerca de mil pessoas tenham sido detidas.
Os protestos no Egito começaram na terça-feira e foram inspirados no levante popular na Tunísia que, há duas semanas, derrubou o presidente, no poder havia 23 anos.
O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne diz que o povo egípcio está descontente com o rumo político-econômico do país, com a pobreza e com os indícios de corrupção governamental.

No Iêmen, manifestantes reclamam de falta de democracia
Mas o descontentamento é mais amplo do que isso. Os egípcios dizem que o país precisa de sonhos, visões. O povo acha que o país e o governo estão em declínio, relata Leyne.
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Iemên
Protestos também começaram nesta quinta-feira no Iêmen, onde milhares de pessoas foram às ruas da capital Sanaa para exigir a renúncia do presidente, Ali Abdullah Saleh, no poder há mais de 30 anos.
Relatos vindos do país dão conta de que há manifestações em quatro diferentes pontos da cidade.
Organizadores convocaram estudantes e a sociedade civil para protestar contra a corrupção e as políticas econômicas. Os iemenitas se queixam da marginalização, da pobreza e da frustração da população jovem com a falta de liberdade política e democracia.
O Iêmen é um dos países mais pobres do mundo árabe e enfrenta ameaças de grupos separatistas no sul e insurgência de rebeldes xiitas houti no norte.
O país também é alvo da Al-Qaeda, que vê nos jovens desempregados uma oportunidade para recrutá-los para grupos militantes islâmicos.
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A onda de revoltas populares teve início na Tunísia em dezembro do ano passado e durou um mês. Depois que os protestos conseguiram derrubar o presidente, manifestações surgiram em outros países da região.
Jordânia e Argélia também vêm enfrentando manifestações, embora em menor escala, reprimidas pelas forças de segurança.
Analistas alertam que revoltas populares podem se espalhar pelo mundo árabe e ameaçar os regimes de vários países da região.
Colaborou Tariq Saleh, em Beirute, Líbano

