‘Dia da revolta’ no Egito resulta em três mortes, segundo relatos

Tropas de choque na capital egípcia, Cairo, entraram em confronto nesta terça-feira com milhares de manifestantes que exigem reformas políticas no país em um evento batizado pelos participantes de “dia da revolta”.
Segundo a TV estatal, um policial morreu durante os confrontos com manifestantes no Cairo. E médicos afirmam que outras duas pessoas morreram em Suez, onde também houve protestos.
A manifestação egípcia foi inspiradada pela onda de protestos populares que vem sacudindo a Tunísia desde dezembro e que levaram neste mês à renúncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali.
A polícia usou canhões de água e bombas de gás de efeito moral para dispersar a multidão que se reuniu no centro do Cairo.
Aglomerações e manifestações populares são proibidas há décadas no Egito, governado desde 1981 por Hosni Mubarak.
Surpresa
Um correspondente da BBC na cidade diz que ocorrem manifestações em diversos pontos do Cairo e que o alto comparecimento parece ter surpreendido até os organizadores.

Os protestos começaram pacíficos, mas, à medida que cresciam, surgiram os primeiros episódios de violência.
Ocorreram protestos também em outras cidades, como Alexandria, no norte do país.
Os manifestantes têm três reivindicações principais: a suspensão da lei de emergência que vigora permanentemente no país (e que restringe liberdades civis), a saída do ministro do Interior e a adoção de um limite de tempo ao mandato presidencial – o que poderia levar ao fim do governo de Mubarak.
Segundo o correspondente da BBC Jon Leyne, protestos dessa magnitude não eram vistos no Egito em muitos anos. Ainda que não ameacem diretamente a permanência de Mubarak no poder, são um grande choque ao presidente, diz Leyne.
O Egito compartilha muitos dos problemas que geraram os problemas na vizinha Tunísia, como o aumento de preços de alimentos, alto índice de desemprego e revolta contra o que percebem ser a corrupção do governo.
Oposição dividida

Mas a oposição egípcia se dividiu em relação ao protesto.
Um de seus líderes, Mohamed El Baradei, pediu para que a população participasse, mas o maior movimento oposicionista do país, a Irmandade Muçulmana, assumiu uma posição mais ambivalente.
A organização disse que não iria aderir oficialmente aos protestos, mas também não iria pedir que seus membros não participassem deles.
A população egípcia tem um nível educacional muito mais baixo do que a tunisiana, com alta taxa de analfabetismo e pouco acesso à internet.
Questionada sobre os protestos egípcios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que os EUA estão "monitorando de perto a situação".
"Apoiamos o direito de expressão e instamos todos os lados a não aderir à violência", disse Hillary a jornalistas. Ela afirmou também que os EUA consideram o governo egípcio "estável" e que este busca formas de "responder às necessidades legítimas da população".












