Primeiro-ministro da Tunísia diz que abandonará política

O primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, disse que deixará a política assim que ocorrerem eleições para a formação de um novo governo no país.
Em entrevista transmitida pela televisão tunisiana, o premiê afirmou que abandonaria as atividades políticas “no prazo mais curto possível”.
Ghannouchi lidera o governo provisório da Tunísia desde a renúncia do presidente Zine al-Abedine Ben Ali, na semana passada.
O governo de transição prometeu organizar eleições em seis meses, mas ainda não definiu uma data.
Renúncias
Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita em 14 de janeiro, após uma onda de protestos contra o seu governo. Os manifestantes querem que todos os principais membros do seu governo renunciem.
Primeiro-ministro desde 1999, Ghannouchi era um importante aliado do ex-presidente e tem tentado restabelecer a calma na Tunísia.
Na sua entrevista, ele disse que todas as leis antidemocráticas seriam derrubadas pelo governo de transição e que, na gestão de Ben Ali, sentia “medo, como todos os tunisianos”.
Ao menos 78 pessoas morreram em protestos iniciados em dezembro. O país decretou três dias de luto a partir desta sexta-feira em homenagem às vítimas.
‘Mãos limpas’
Nesta semana, Ghannouchi deixou o partido de Ben Ali e disse que o governo interino precisava de “mãos limpas”, mas ponderou que a transição para a democracia também exigia políticos experientes.
No entanto, o Sindicato Geral de Trabalhadores Tunisianos, o maior do país, quer ver o governo livre de qualquer ligação com o regime derrubado, e protestos contra a permanência de antigos quadros no governo persistem.
Na semana passada, quarto ministros de oposição deixaram os cargos em apoio à causa, apenas um dia depois da formação da administração interina.
O governo prometeu soltar todos os presos políticos e disse que todos os partidos banidos da política tunisiana seriam legalizados.
Os protestos que levaram à renúncia de Ben Ali foram atribuídos à insatisfação com o desemprego e com a falta de liberdades políticas. As manifestações começaram após um homem atear fogo a si mesmo no centro do país, em 17 de dezembro.












