Pressionada a aceitar ajuda, Irlanda se reúne com UE e FMI

Autoridades da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) vão se reunir nesta quinta-feira com o governo da Irlanda para discutir a grave crise financeira enfrentada pelo país.
A Irlanda tem sido incentivada por autoridades europeias a aceitar ajuda financeira do bloco. Mas um eventual resgate por parte da UE é visto como uma humilhação dentro das esferas de poder em Dublin, capital do país, pois significaria que a sobrevivência do governo e da economia do país passaria a estar nas mãos de Bruxelas.
O governo irlandês vinha insistindo que daria conta de resolver a crise financeira no país e negou que tivesse pedido ajuda ao bloco, apesar de a reunião desta quinta ocorrer em Dublin.
O presidente do Banco Central Irlandês, Patrick Honohan, aumentou a pressão sobre o governo irlandês ao dizer, nesta quinta-feira, esperar que o governo do país aceite um "empréstimo substancial", no valor de dezenas de bilhões dólares.
Crise
A Irlanda enfrenta uma grave crise financeira e sérias dificuldades para tentar retomar o seu crescimento. O déficit público disparou depois que o governo se viu obrigado a socorrer o sistema financeiro do país, após uma brusca queda no mercado imobiliário.
O governo prometeu diminuir seu déficit público dos atuais 12% para 3% até 2014 e são esperados novos cortes e medidas de contenção de despesas na divulgação do próximo orçamento, em dezembro.
Mas investidores dizem temer que os cortes afetem ainda mais a arrecadação de impostos no país.
A situação na Irlanda está sendo acompanhada de perto por Bruxelas e pelas outras economias europeias, preocupados que uma eventual insolvência no país possa contaminar outras economias do bloco e ameaçar sua moeda única, o euro.
Além da Irlanda, Espanha, Portugal e Grécia passam por dificuldades e geraram dúvidas sobre a capacidade de honrar suas dívidas.
Na quarta-feira, ministros das Finanças do bloco se reuniram em Bruxelas para discutir a situação da Irlanda.
Os ministros, entretanto, disseram que não tiveram uma discussão detalhada sobre um eventual pacote de ajuda à Irlanda, justamente porque o país ainda não pediu ajuda financeira.
"É uma questão de soberania nacional (da Irlanda) dentro de um grupo (a UE) que lhe dará apoio, que tem um bem comum, que é nossa moeda", disse a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde.
"(A moeda) é um bem comum que não podemos deixar ser deteriorado por um país membro...Estamos nisto juntos e vamos ter que determinar, juntos, qual é a melhor solução para o euro e para nosso bem comum", acrescentou.
O senador independente da Irlanda Shane Ross, disse à BBC que a economia do país precisa urgentemente de uma injeção de dinheiro e acrescentou que o problema real do país é a relação próxima entre o governo e os bancos.
"Os bancos foram nacionalizados de fato aqui, então, qualquer dinheiro emprestado para os bancos, é emprestado para o governo e garantido pelo governo", afirmou.












