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Líderes da oposição ao governo da Tailândia que coordenam uma onda de protestos escaparam de ser presos nesta sexta-feira, protagonizando uma fuga audaciosa de um hotel de Bangcoc.
Policiais entraram no hotel de luxo SC Park em busca de Arisman Pongruangrog, Phayup Panket, Suporn Atthawong e Pramual Chuklom. Os quatro coordenam os protestos que há cinco semanas vêm reunindo milhares de manifestantes da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, na sigla em tailandês). Conhecidos como camisas vermelhas, os manifestantes exigem que o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva renuncie ao cargo e convoque eleições.
A fuga de um dos líderes, Arisman, foi flagrada pelas câmeras de TV e mostram o oposicionista descendo por uma corda de uma sacada no terceiro andar do hotel, e chegando até um veículo em que outros membros do movimento o aguardavam.
A inusitada perseguição foi qualificada pela imprensa local como cena de filme do 007. A fuga de Arisman e dos outros líderes é particularmente constrangedora para as autoridades tailandesas porque o vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban anunciou na TV que a operação resultaria na prisão dos líderes oposicionistas.
Enquanto eu falo com vocês, forças especiais circundam o hotel SC Park, onde terroristas estão alojados... Nós vamos prender e oprimir esses terroristas. Já designamos forças especiais para isso disse Suthep.
Sites de jornais locais, como o The Nation, chegaram a anunciar brevemente que as prisões haviam sido realizadas.
O porta-voz da polícia, Panitan Wattanayakorn, admitiu o fracasso da operação.
No último sábado, 10 de abril, confrontos entre camisas vermelhas e a polícia resultaram em mais de 20 mortes, no confronto mais sangrento na Tailândia desde o começo da década de 1990.
Os quatro líderes e outros 24 membros da UDD são procurados pela polícia, acusados de terem incitado a violência que resultou nas mortes.
A confusão começou depois que a polícia tentou remover os manifestantes acampados no centro de Bangcoc.
Acampamento
O acampamento de dezenas de milhares de simpatizantes da UDD no centro da capital levou à interdição de algumas das maiores avenidas da cidade e fechou o principal distrito comercial.
Os camisas vermelhas argumentam que o atual primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva não é um líder reconhecido, pois foi eleito pelo Parlamento, e não por voto direto.
Vejjajiva disse que está disposto a ouvir os manifestantes, mas não pretende renunciar. Duas rodadas de conversas foram improdutivas, e as negociações estão suspensas.
Desde o começo dos protestos, o Exército tem se mantido leal a Vejjajiva. Porém, a crescente pressão popular e rumores de divergências dentro da coalizão governista são indícios de que a liderança de Vejjajiva não é inabalável, na opinião de especialistas.
A UDD se define como "uma coalizão de descontentes que busca a democracia como fundamento para a política tailandesa".
Formada na maioria por moradores das regiões rurais da Tailândia, a frente apóia também o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, um bilionário deposto em 2006 em um golpe de Estado. Shinawatra vive no exílio e foi condenado à revelia por corrupção.

