Amorim diz que Brasil pode ir à OMC contra 'Buy American'

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim (arquivo/AP)
Legenda da foto, Amorim disse que cláusula Buy American é 'mau sinal'

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira que o país pode recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a cláusula "Buy American" (compre produtos americanos, em tradução livre) do pacote de estímulo à economia aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos na última sexta-feira.

"É uma análise legal complexa, mas estamos fazendo. (Ir à OMC) é uma opção real", afirmou Amorim, segundo a agência de notícias Reuters, durante uma entrevista à rede estatal TV Brasil que vai ao ar na próxima quarta-feira.

A cláusula em questão estipula que somente aço, minério de ferro e manufaturados produzidos nos Estados Unidos poderão ser utilizados em projetos contemplados pelo pacote US$ 787 bilhões.

Após protestos da União Europeia, do Canadá e do Brasil - que classificaram a legislação como "protecionista" -, no entanto, os senadores americanos votaram por amenizar a cláusula, prevendo que ela só poderá ser aplicada na medida em que não interfira nos acordos comerciais firmados pelos EUA.

<link type="page"><caption> Leia também na BBC Brasil: Senado dos EUA ameniza cláusula de preferência por produtos americanos </caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090205_senado_buyamericancq.shtml" platform="highweb"/></link>

Durante a entrevista, Amorim classificou a medida do governo americano como improdutiva e a comparou a um analgésico que ataca só os sintomas, mas não a causa da doença.

"É um mau sinal...Não é positivo em um momento em que a economia mundial está tentando se restabelecer".

Amorim ainda afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fazer um discurso contra o protecionismo na próxima reunião do G20, que acontece em Londres no próximo mês de abril.

Em entrevista exclusiva ao correspondente da BBC Gary Duffy, no último dia 4 de fevereiro, Lula já havia criticado a cláusula do pacote de recuperação econômica dos EUA.

"Eu temo o protecionismo e ele está acontecendo", afirmou o presidente.

<link type="page"><caption> Leia também na BBC Brasil: Lula chama pacote de Obama de 'protecionista'</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090204_entrevistalula.shtml" platform="highweb"/></link>

Defesa

Ainda nesta segunda-feira, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, negou que seu país esteja aplicando políticas protecionistas.

"Alguém decidiu (dizer) que os Estados Unidos estão se tornando mais protecionistas. Mas eu não concordo", disse Pelosi no Parlamento italiano, como parte de sua visita oficial ao país.

"Há algumas partes de nosso país que estão sofrendo muito com a crise econômica. Nós queremos defender os interesses dessas pessoas ao mesmo tempo em que buscamos fazer nossa economia crescer. Eu não chamo isso de protecionismo. Eu acho que é o que qualquer país faria por seus trabalhadores", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve sancionar o pacote de US$ 787 bilhões de estímulo à economia nesta terça-feira.