
Caminhões da ONU usam a passagem de Kerem Shalom para entregar ajuda em Gaza
A Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) suspendeu nesta sexta-feira todo o envio de doações à Faixa de Gaza e acusou o Hamas, facção palestina que controla o território, de apreender toneladas de alimentos.
"Durante a noite de 5 de fevereiro dez caminhões de farinha e arroz foram levados do lado palestino da passagem de Kerem Shalom para a Faixa de Gaza. Eles tinham sido importados do Egito para a coleta pela UNRWA hoje (sexta-feira)", informou a agência em um comunicado.
"O alimento foi levado por caminhões contratados pelo Ministério de Assuntos Sociais (do Hamas). Duzentas toneladas de arroz e cem toneladas de farinha foram levadas."
A agência da ONU afirmou que retomará o envio de ajuda para a Faixa de Gaza depois que receber garantias do Hamas.
"A suspensão das importações da ONU vai continuar até que a ajuda seja devolvida e a agência receba garantias do governo do Hamas na Faixa de Gaza de que estes roubos não vão se repetir."
Cobertores e alimentos
"Este é o segundo incidente em três dias. Na terça-feira, 3,5 mil cobertores e mais de 400 pacotes de comida foram levados, sob a mira de armas, de uma loja de distribuição", diz o comunicado da agência da ONU. "A UNRWA exigiu a devolução desta ajuda também."
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O ministro dos Assuntos Sociais do Hamas na Faixa de Gaza, Ahmed al-Kurd, negou que os integrantes do movimento islâmico estejam envolvidos com o incidente de terça-feira.
Mas acrescentou que o Ministério discutiu com a agência da ONU sobre como esta ajuda deveria ser distribuída.
Al-Kurd acusou a agência de dar ajuda a grupos locais que têm envolvimento com os adversários do Hamas.
A Faixa de Gaza atravessa um momento de crise humana depois da ofensiva israelense de cerca de três semanas contra o Hamas, suspensa em 17 de janeiro.
A ONU aumentou a distribuição de alimentos nas últimas semanas para atender 900 mil dos cerca de 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza.
A organização, assim como a maioria dos países ocidentais, não lida diretamente com a liderança do Hamas na Faixa de Gaza.
Mas tem contatos com ministros indicados pelo Hamas e funcionários públicos, para discutir apenas questões técnicas relacionadas à entrega de doações e serviços.

