O advogado Paulo Cunha Bueno, que representa Bolsonaro, terminou sua manifestação aludindo a um "julgamento político" e comparando o atual andamento com o que chamou de uma “versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus”, ocorrido na França no final do século 19 e começo do 20.
Bueno também defendeu que o STF reforce sua credibilidade ao respeitar o devido processo legal, o direito à ampla defesa, ao princípio do juiz natural, à imparcialidade objetiva e ao tomar uma decisão calcada “em provas contundentes”.
“Não podemos em hipótese alguma permitir que entendam a esta Corte ou a este juízo, que terá faltado a atenção à gravidade desse caso e à falta de elemento que possam imputar ao presidente Jair Bolsonaro os delitos que lhe são direcionados na denúncia”, disse.
“Não permitamos, em hipótese alguma, criarmos nesse processo uma versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus”, disse, afirmando que o episódio foi uma “cicatriz na história jurídica do Ocidente”.
“A absolvição do presidente Bolsonaro é imperiosa para que não tenhamos a nossa versão do caso Dreyfus”, disse ainda o advogado, antes de finalizar.
O que foi o caso Dreyfus?
O caso Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a Terceira República Francesa de 1894 até sua resolução em 1906.
Em 1894, o capitão do Exército Alfred Dreyfus foi acusado e condenado a prisão perpétua por traição, após um breve julgamento, feito em tribunal militar e à porta fechada.
Por 12 anos, Dreyfus e seus apoiadores lutaram para expor uma conspiração antissemita que teria motivado a sua condenação. Posteriormente, os serviços de contraespionagem franceses fizeram uma investigação mais profunda e detectaram vários erros no processo, com o surgimento de indícios de que tinha se tratado, de fato, de uma injustiça.
Em julho de 1906, a Suprema Corte francesa interveio, e Alfred Dreyfus foi considerado inocente, readmitido no Exército e condecorado com a Legião de Honra. O caso, porém, abalou profundamente a confiança dos franceses nas suas instituições e na sua Justiça.