Um relatório elaborado por especialistas de diversos países concluiu que um torpedo da Coreia do Norte afundou um navio da Marinha da Coreia do Sul em março, causando a morte de 46 pessoas.
Os investigadores internacionais afirmam ter descoberto uma parte do torpedo no fundo do mar. O pedaço do artefato tinha letras que combinavam com as encontradas em torpedos norte-coreanos.
O navio Cheonan naufragou no dia 26 de março, nas proximidades da fronteira marítima com a Coreia do Norte, o que aumentou a tensão entre os dois países. A Coreia do Norte negou desde o início qualquer envolvimento com o naufrágio.
Após a divulgação do relatório, o governo norte-coreano ameaçou responder com guerra caso novas sanções sejam impostas ao país por conta das conclusões da investigação.
Já o presidente sul-coreano Lee Myung-bak prometeu "medidas duras" contra a Coreia do Norte.
"Tomaremos medidas firmes contra a Coreia do Norte", disse Lee ao primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, de acordo com o gabinete de governo sul-coreano.
"Por meio da cooperação internacional, temos que fazer com que a Coreia do Norte admita seu delito e se transforme em um integrante responsável da comunidade internacional", acrescentou.
Equipe internacional
A investigação sobre o naufrágio do Cheonan foi liderada por especialistas de Estados Unidos, Austrália, Grã-Bretanha e Suécia.
"As provas apontam predominantemente para a conclusão de que o torpedo foi disparado por um submarino norte-coreano. Não há outra explicação plausível", afirma o relatório.
O documento diz ainda que as partes do torpedo que foram encontradas no fundo do mar "combinam perfeitamente" com um tipo de torpedo que a Coreia do Norte fabrica.
As letras encontradas em uma parte combinam com as letras encontradas em um torpedo norte-coreano encontrado pela Coreia do Sul há sete anos.
Quando o Cheonan afundou, várias hipóteses foram citadas como possível causa do naufrágio - incluindo a de uma colisão acidental com uma mina norte-coreana deixada no mar durante a Guerra da Coreia (1950-1953).
Águas territoriais
O local onde ocorreu o naufrágio do Cheonan é marcado pela tensão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em janeiro e fevereiro, diversos incidentes, sem vítimas, foram registrados nas águas disputadas pelos dois países.
A área também foi cenário de confrontos navais, com mortos, entre 1999 e 2002. O último ocorreu em 2009, quando um choque incendiou um barco norte-coreano e matou um marinheiro do país.
A Coreia do Sul afirma que, na ocasião, o navio violou os limites territoriais - alegação negada pela Coreia do Norte.
Os sul-coreanos reconhecem um limite estabelecido unilateralmente pela coalizão liderada pelos Estados Unidos para demarcar a fronteira entre os dois países ao final da guerra coreana. O limite nunca foi reconhecido pela Coreia do Norte.