
Esta igreja permaneceu fechada durante todo o tempo em que a equipe permaneceu em Igapó Açu.
Para uns, “estrada da destruição”; para outros, “rodovia do futuro”, a BR-319 (Porto Velho-Manaus) – construída na década de 70, parte do projeto do governo militar brasileiro de integrar a Amazônia, e abandonada na década seguinte – é uma síntese dos desafios fundamentais para a região: preservar e desenvolver.
O repórter da BBC Brasil, Eric Camara, está percorrendo os quase 900 quilômetros da rodovia – já pavimentados ou ainda esburacados – para ver de perto como o polêmico reasfaltamento da estrada deve afetar a vida dos moradores e a natureza da região.
Acompanhe aqui o diário de fotos da viagem.
A equipe da BBC visita o cerrado amazônico, perto de Porto Velho - uma área de arbustos e árvores baixas no meio da floresta.

O nascer do sol no cerrado amazônico.

Rami Ruhayam, do serviço árabe da BBC, e Eric Camara, da BBC Brasil, com um integrante do Jipe Club de Porto Velho, capturam imagens de vídeo durante a viagem pelo cerrado amazônico.

Uma das muitas libélulas vistas no cerrado.

Essa área desmatada era uma fazenda até o começo desse ano, quando o governo a transformou em uma reserva ecológica. A fazenda está abandonada.

A lei permite que fazendeiros desmatem 20% das terras que possuem na Amazônia.

Cruzando o Rio Madeira.

Ambientalistas acreditam que a recuperação da estrada vai causar destruição na fauna e flora da região.
A equipe da BBC passa pela Transamazônica e visita a aldeia Tucumã, da etnia Apurinã, a poucos quilômetros da BR-319.

A aldeia Tucumã, da etnia Apurinã, fica a 2 km da BR-319.

Os índios Apurinã temem perder espaço rapidamente com a reabertura da BR-319, se suas terras não forem demarcadas.

Os pais desse menino esperam que ele possa permanecer nas terras em que vivem hoje.

A chegada da chuva pode ser vista da estrada.

Retro-escavadeiras e caminhões do Exército trabalham na BR-319 e na BR-230, a Transamazônica.
Equipe da BBC acompanha grupo do serviço geográfico do Exército que trabalha na demarcação do Parque Estadual de Tapauá.

A equipe da BBC foi convidada a acompanhar um grupo do serviço geográfico do Exército que trabalhava na demarcação do Parque Estadual de Tapauá.

Foi uma caminhada de uma hora pela Floresta Amazônica até chegar ao local.

No caminho, placas deixadas por madeireiros indicam o local de onde tiraram algumas árvores, e que elas foram cortadas legalmente.

Algumas árvores foram derrubadas para a sinalização da primeira placa e do primeiro marco no Parque Estadual do Tapauá, uma das 27 unidades de conservação criadas no entorno da BR-319.

O grupo precisou instalar um aparelho de GPS para localizar o ponto exato de instalação do marco.

Ao todo, serão instalados 5 mil marcos como este nos parques, além de placas de sinalização informativas para demarcar a área das unidades, que soma quase 12 milhões de hectares.
Para moradora, a 100km de Humaitá, a reabertura da estrada traria clientes para o hotel que tenta construir.

Edith e família moram na Vila Realidade, na beira da BR-319. Ela é dona de um restaurante e está construindo o primeiro hotel do vilarejo.

A obra do hotel, que é planejado para ter dez quartos, está parada por falta de dinheiro.

Nesta altura da BR-319 o movimento é mínimo. Dona Edith se vira fazendo pão para outros moradores e comida para os raros visitantes.

O galpão ao fundo era um restaurante no tempo em que a BR-319 era mais movimentada, agora está abandonado.

A equipe 'acampou' em uma escola durante a noite. Seguindo rumo a Manaus, Realidade é o último vilarejo antes de um trecho de 400 quilômetros, praticamente desertos.
Reabertura da BR-319 leva esperança a colonos da Amazônia.

A catarinense Marli Schroeder se mudou para o Amazonas há 19 anos, quando a rodovia já tinha sido fechada.

“Meu marido sempre quis ser fazendeiro, mas não tinha mais terra para comprar lá no sul, então viemos para cá”, conta Marli Schroeder.

Graças a um acordo com a Prefeitura de Humaitá, de segunda a sexta-feira uma professora dá aula para as nove crianças que vivem na fazenda da família.

Este posto de gasolina abandonado fica a poucos quilômetros antes da parte mais deserta da BR-319.

Uma das cabanas para viajantes em volta do posto fantasma, sinal que o movimento na estrada já deve ter sido bom.

Acampamento da equipe da BBC na BR-319.
Perto de Manaus, os sinais de civilização - e destruição.

Esta igreja permaneceu fechada durante todo o tempo em que a equipe permaneceu em Igapó Açu.