A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que diminui as restrições impostas pelo governo americano a viagens a Cuba e suaviza alguns obstáculos ao comércio com o país.
A medida, inserida em uma legislação orçamentária, ainda precisa ser aprovada pelo Senado - onde sofre forte oposição - antes de se tornar lei.
Pelo projeto aprovado pela Câmara, os americanos de origem cubana passarão a ser autorizados a visitar a ilha uma vez por ano. Desde 2004, as viagens só são permitidas a cada três anos.
A legislação ainda aumenta para US$ 170 a quantidade diária de gastos permitida para os cubano-americanos que visitarem a ilha, o que representa mais que o triplo da quantidade atualmente autorizada, que é de US$ 50.
Os deputados também aprovaram a criação de uma licença de viagem especial para os americanos que comercializam alimentos e suprimentos médicos com Cuba.
Além disso, o projeto também autoriza o governo cubano a pagar por mercadorias americanas no momento em que elas desembarcarem no país, e não mais antes que elas sejam enviadas, como foi instituído em 2005.
Esta medida, segundo analistas, pode aumentar as vendas de arroz americano para Cuba.
Primeiro passo
O anúncio da aprovação do projeto de lei pode representar um primeiro passo nos esforços para a suavização do embargo a Cuba e para o fim do limite às viagens à ilha para todos os cidadãos americanos.
O governo do presidente Barack Obama, no entanto, até agora tem descartado o fim do embargo - imposto em 1962 - como uma forma de pressionar por reformas democráticas no regime socialista.
Mesmo assim, Obama já se mostrou favorável ao relaxamento nas restrições a viagens e ao envio de remessas de dinheiro por parte de cubano-americanos.
O presidente da Fundação Nacional Cubano-Americana, que representa os exilados da ilha nos EUA, Francisco Hernandez, comemorou a decisão.
"Nós pedimos por isso desde que as restrições a viagens foram impostas. Esta pode ser uma oportunidade para famílias cubanas se conectarem", disse.
Mas Hernandez e outros defensores das propostas temem que o projeto não seja aprovado pelo Senado.
O senador republicano Mel Martinez, que se opõe às mudanças, já afirmou que tentará obstruir o projeto na Casa.
O Senado deve analisar as novas medidas até o fim da semana.
Reaproximação
Também nesta quarta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou o envio a Cuba do ex-ministro da Cultura do país, Jack Lang, em um esforço para estreitar os laços com a ilha.
A visita de Lang a Cuba começou há alguns dias, mas só foi oficialmente confirmada nesta quarta-feira.
O anúncio faz parte de uma tentativa de reaproximação entre França e Cuba depois do fim das restrições impostas à ilha pela União Europeia, no ano passado.