Imigração: imagens mostram violenta repressão na Guatemala a migrantes que caminham para os EUA

Forças de segurança da Guatemala entraram em choque com a enorme caravana que tenta chegar aos EUA

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Forças de segurança da Guatemala entraram em choque com a enorme caravana que tenta chegar aos EUA
Tempo de leitura: 4 min

O Exército e a tropa de choque da polícia da Guatemala usaram forte violência no domingo (18/1) contra os integrantes de uma caravana de milhares de migrantes centro-americanos que se dirigiam aos Estados Unidos.

O grupo era formado por cerca de 6 mil migrantes, segundo dados oficiais, que deixaram Honduras entre quinta e sexta-feira. No sábado, outros 3 mil migrantes entraram na Guatemala sem respeitar os procedimentos na fronteira. Com isso, o número total de pessoas que compõem a caravana é de cerca de 9 mil.

Durante os incidentes deste domingo na tentativa de dispersar o grupo na cidade de Chiquimula, perto da fronteira entre os dois países, várias pessoas ficaram feridas.

O governo guatemalteco afirma ter deportado quase mil pessoas para Honduras nos últimos três dias por entrarem ilegalmente no país.

O Procurador de Direitos Humanos da Guatemala, Jordán Rodas Andrade, classificou como "deploráveis" as ações das forças de segurança contra os migrantes e disse que é preciso exercer "empatia e solidariedade".

Os migrantes dizem que foram forçados a fugir da pobreza, violência e devastação causadas por dois grandes furacões em novembro do ano passado e querem chegar aos EUA via México.

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'Não há emprego em Honduras'

Depois de cruzar ilegalmente o ponto de fronteira de Florido, na fronteira entre Honduras e Guatemala, os migrantes começaram a se concentrar na tarde de sábado em um posto militar em Vado Hondo, em Chiquimula. Lá as autoridades exigiram solicitaram documentos e um teste negativo para covid-19, o que gerou conflitos que foram ficando mais violentos à noite.

Un hombre lleva a un niño en sus hombros. Ambos integran la caravana de migrantes que partió de Honduras y pretende llegar a Estados Unidos.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Las autoridades informaron que unas 6.000 personas conforman esta caravana de migrantes.

Na manhã de domingo, a caravana tentou tentar atravessar a barricada de mais de 3 mil policiais e soldados, mas foi repelida, segundo a autoridade de imigração da Guatemala.

Imagens de vídeo compartilhadas pelo governo guatemalteco e reproduzidas pela imprensa local mostram centenas de migrantes pressionando contra uma parede de soldados das forças de segurança.

"Vários ficaram feridos, entre migrantes, militares e funcionários da imigração", disse Alejandra Mena, porta-voz do Instituto de Migração da Guatemala (IGM), de acordo com a agência de notícias Reuters.

Os migrantes tentaram romper o muro humano formado pelas forças de segurança da Guatemala

Crédito, Reuters

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Nos confrontos houve golpes de paus e gás lacrimogêneo

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Nos confrontos houve golpes de paus e gás lacrimogêneo
A caravana de migrantes tenta chegar aos EUA a pé

Crédito, EPA

Legenda da foto, A caravana de migrantes tenta chegar aos EUA a pé

As autoridades não informaram o número específico de feridos e mas disseram estar coordenando um trabalho para cuidar dos feridos.

"Eles não têm coração, estamos arriscando nossas vidas", disse Dixon Vázquez, de 29 anos, à agência de notícias AFP, que pediu às autoridades guatemaltecas que deixem o grupo seguir viagem.

"Não há trabalho em Honduras", disse ele.

Wilmer, um hondurenho da caravana de migrantes que atravessa a Guatemala, mostra uma foto de sua casa destruída pela tempestade Eta, motivo pelo qual decidiu ir para os EUA

Crédito, EPA

Legenda da foto, Wilmer, um hondurenho da caravana de migrantes que atravessa a Guatemala, mostra uma foto de sua casa destruída pela tempestade Eta, motivo pelo qual decidiu ir para os EUA

O governo do México, que reforçou os controles em sua fronteira sul, elogiou o trabalho da Guatemala por agir "com firmeza e responsabilidade" em relação aos contingentes de migrantes que "violaram sua soberania", em um comunicado do seu ministério das Relações Exteriores na noite de sábado.

O número de componentes da enorme caravana neste final de semana é ainda maior do que o organizado em outubro de 2018. Naquela ocasião, 7 mil pessoas conseguiram chegar à fronteira com os EUA, segundo dados das Nações Unidas.

A primeira mobilização de migrantes em 2021 ocorre poucos dias antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

Biden prometeu em sua campanha uma abordagem mais humana para a migração, em contraste com as políticas duras do presidente Donald Trump.

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A primeira grande caravana de 2021

Análise de Marcos González Díaz, da BBC News Mundo no México e América Central

Era questão de dias para que a América Central voltasse a ser a rota de uma nova caravana de migrantes que sonha com uma vida melhor nos EUA.

Além dos níveis sufocantes de pobreza e violência em Honduras, eles precisaram lidar com furacões, que deixaram muitos sem praticamente nada.

Os hondurenhos já alertavam que migrar seria sua única opção. E a esperança de que o próximo governo dos EUA relaxe sua política de imigração encorajou milhares de centro-americanos a se juntarem a essa nova jornada.

Mas para realizar seu sonho, é preciso enfrentar uma jornada que é um verdadeiro pesadelo.

Os migrantes dizem que foram forçados a fugir da pobreza, violência e devastação das poderosas tempestades que atingiram a América Central em 2020

Crédito, EPA

Legenda da foto, Os migrantes dizem que foram forçados a fugir da pobreza, violência e devastação das poderosas tempestades que atingiram a América Central em 2020

Não só pelos perigos que o percurso já envolve até chegar aos EUA, mas também por episódios alarmantes como o de Chiquimula, onde o exército guatemalteco recorreu ao uso da força para deter uma multidão e obrigá-la a entrar no país "de forma regular".

As imagens mostram o desespero de milhares de pessoas diante de soldados que tentam, com armas e gás lacrimogêneo, fazer cumprir a lei atual e exigir documentação e testes de PCR que poucos desses migrantes tinham condições de pagar.

Os que conseguirem passar enfrentarão outra barreira difícil em seu caminho: a fronteira sul do México, que o governo protege há dias com centenas de soldados e membros da Guarda Nacional.

Resta saber como as mudanças na imigração prometidas pelo presidente eleito Joe Biden moldarão o futuro daqueles que tentam migrar para os EUA e sua relação com o México e a América Central, após um governo de Donald Trump caracterizado por ameaças a esses países justamente por causa de caravanas como essa.

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