Covid-19: comissão de cientistas vai a Wuhan tentar desvendar as origens do coronavírus

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Uma equipe de dez cientistas de várias partes do mundo viajará para a cidade chinesa de Wuhan no próximo mês para investigar as origens da covid-19, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A China tem relutado em colaborar com uma investigação independente, e foram necessários muitos meses de negociação para que a OMS pudesse ter acesso à cidade em que surgiu a covid-19.
Um biólogo da equipe que viajará para Wuhan disse à agência de notícias Associated Press que a missão da OMS não busca culpados, mas sim prevenir futuros surtos.
"Realmente não se trata de encontrar um país culpado, mas sim de tentar entender o que aconteceu e verificar se, com base nessas descobertas, podemos atenuar o risco no futuro", afirmou Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, na Alemanha.
O biólogo detalhou que a equipe buscará responder, por exemplo, quando o vírus começou a circular e se ele passou a infectar humanos em Wuhan, ou não.
A missão deve durar de quatro a cinco semanas, acrescentou.
Origem ainda incerta

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Um mercado de alimentos em Wuhan, na província de Hubei, foi apontado desde o início como a possível origem da covid-19, onde o coronavírus teria saído de animais para começar a infectar humanos.
Mas há alguns pesquisadores que, hoje, acreditam que o patógeno possa simplesmente ter se multiplicado ali.
É difícil determinar este ponto de virada da infecção em humanos porque o coronavírus possivelmente circulou em morcegos, sem ser detectado, por décadas.
Em dezembro do ano passado, um médico do Hospital Central de Wuhan, Li Wenliang, tentou alertar colegas sobre o possível surto de uma nova doença, mas recebeu ordens da polícia para "parar de fazer comentários falsos" e passou a ser investigado por "espalhar boatos".
Li morreu em fevereiro após contrair o vírus enquanto tratava de pacientes na cidade chinesa.
Em abril, surgiram suspeitas de que o vírus poderia ter vazado de um laboratório em Wuhan.
O conteúdo de mensagens internas do Departamento de Estado dos EUA veio a público, sugerindo que os funcionários da embaixada local estavam preocupados com a biossegurança no lugar.
Representantes do setor de inteligência americana afirmaram que, embora o vírus não tenha sido fabricado pelo homem ou geneticamente modificado, as autoridades passaram a investigar se o surto começou por contato com animais ou por algum tipo de acidente em laboratório.
Enquanto isso, publicações recentes na mídia chinesa sugerem que a covid-19 pode ter começado fora do país.
Entretanto, analistas externos dizem que essas acusações não têm fundamento e refletem a ansiedade em Pequim sobre os danos à reputação internacional do país causados pela pandemia.
'Chinacentrismo'
A gestão da crise sanitária pela China foi elogiada em janeiro pelo chefe do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan, que na época afirmou que "o desafio é grande, mas a resposta tem sido robusta".
Pequim ajudou a desacelerar a disseminação da doença ao compartilhar rapidamente o código genético do coronavírus, ao realizar muitos testes e ao impor um isolamento social eficiente, disse a organização.
No entanto, os EUA e vários outros países passaram a questionar se a China foi totalmente transparente sobre as primeiras aparições de casos da nova infecção.
Em março, o chefe da OMS na China, Gauden Galea, disse à BBC que houve "falhas" no combate ao surto nos primeiros dias, mas que os especialistas analisariam como problemas semelhantes poderiam ser evitados no futuro.
Mais tarde, o presidente americano Donald Trump atacou a OMS por ser muito "Chinacêntrica", defendendo que a entidade internacional "realmente estragou tudo" no controle inicial da pandemia.
Trump então anunciou a retirada dos EUA da OMS e o redirecionamento de verbas que iriam para a organização.
Entretanto, o sucessor de Trump recém-eleito, Joe Biden, já designou uma equipe para reverter a saída dos EUA da OMS.

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