Coronavírus: as novas medidas dos EUA contra 2ª onda de covid-19 após país superar 11 milhões de casos

Profissional de saúde aplica teste de covid-19 em El Paso em 13 de novembro de 2020

Crédito, Mario Tama

Legenda da foto, Internações hospitalares e novos casos estão em níveis recordes nos EUA
Tempo de leitura: 5 min

Michigan e Washington são os mais recentes Estados americanos a adotar medidas rígidas para tentar conter a disseminação da covid-19.

As escolas de segundo grau e faculdades devem interromper o ensino presencial, enquanto os restaurantes estão proibidos de oferecer refeições em espaços fechados em Michigan a partir de quarta-feira (18/11).

Em Washington, onde as restrições aos restaurantes já estão em vigor, academias, cinemas, teatros e museus fecharão.

O total de casos de covid-19 superou a marca de 11 milhões nos Estados Unidos, com internações em níveis recordes, enquanto o país enfrenta uma segunda onda de contágios, que voltaram a crescer.

Em média, mais de mil americanos morrem por dia com o vírus, e o número total de óbitos se aproxima de 250 mil.

O governo de Donald Trump usou um tom otimista na sexta-feira (13/11) ao dizer que esperava distribuir em dezembro 20 milhões de doses de uma vacina e o mesmo volume para cada mês depois disso, embora nenhuma vacina tenha ainda obtido aprovação oficial.

Donald Trump em evento na Casa Branca com bandeiras dos EUA ao fundo

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Derrotado nas eleições de novembro, Trump havia prometido vacina ainda para este ano

Mas assessores do presidente eleito Joe Biden dizem que a recusa da Casa Branca em facilitar uma transição presidencial significa que sua equipe está sendo excluída do planejamento de uma campanha de vacinação, que será uma prioridade para Biden quando ele assumir em janeiro.

"Nossos especialistas precisam falar com essas pessoas o mais rápido possível", disse o chefe de gabinete do presidente eleito, Ron Klain, de acordo com a agência Associated Press.

Klain afirmou que a equipe de Biden começaria mesmo assim a conversar com os fabricantes de vacinas.

Na segunda-feira (16/11), a farmacêutica americana Moderna disse que sua vacina tem uma taxa de quase 95% de eficácia, de acordo com os primeiros resultados.

Um anúncio semelhante no início deste mês sobre outra vacina, desenvolvida em conjunto pelas empresas Pfizer e BioNTech, o que fez o mercado de ações disparar em meio à esperança de que a vida possa voltar ao normal no próximo ano.

Trump comemorou essas notícias e pareceu reivindicar o crédito pelo progresso destas vacinas, escrevendo no Twitter que esses "grandes resultados... todos aconteceram sob minha supervisão".

Também no Twitter, o presidente eleito Biden deu seus parabéns aos homens e mulheres "que produziram essa descoberta", mas alertou que os Estados Unidos ainda estão "a meses" da ampla distribuição de uma vacina.

"Até lá, os americanos precisam continuar a praticar o distanciamento social e o uso de máscaras para manter o vírus sob controle", disse ele.

Trump descartou adotar um lockdown no país, mas muitos Estados estão aplicando suas próprias restrições, já que o aumento rápido dos casos ameaça sobrecarregar seus sistemas de saúde.

Como está a situação nos Estados?

Tanto Michigan quanto Washington viram casos de covid-19 dobrarem nas últimas semanas.

A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, disse que o Estado está "à beira do precipício" e pode em breve chegar a mil mortes relacionadas ao coronavírus por semana, a menos que uma ação efetiva contra isso seja tomada.

Além de suspender o ensino presencial e as refeições em espaços fechados, Whitmer também ordenou o fechamento de locais de entretenimento públicos por um período de três semanas.

As restrições anunciadas em Washington entram em vigor na noite de segunda-feira e terão duração de um mês.

"Hoje, domingo, 15 de novembro de 2020, é o dia de saúde pública mais perigoso dos últimos cem anos da história do nosso Estado", disse o governador Jay Inslee.

"Uma pandemia está assolando nosso Estado. Se não for controlada, certamente resultará em hospitais e necrotérios sobrecarregados e evitará que as pessoas obtenham tratamento médico de rotina, mas necessário, para condições não relacionadas à covid-19."

A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, discursa em 16 de outubro de 2020

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A governadora de Michigan disse que o Estado está 'à beira do precipício'

Qual é a situação em outras partes dos EUA?

Oregon e Novo México adotaram restrições mais rígidas no sábado.

Na sexta-feira, a Califórnia se tornou o segundo Estado, depois do Texas, a passar de 1 milhão de casos, o que levou as autoridades locais a interromper os esforços de reabertura.

Em outros desdobramentos:

* Iowa, Ohio, West Virginia, Utah e Dakota do Norte tornaram o uso de máscara obrigatório;

* O governador de Ohio ameaçou fechar bares e academias se o surto piorar;

* Em Minnesota, os bares e restaurantes devem fechar até as 22h;

* Foi pedido que os moradores de Wisconsin e Nevada fiquem em casa por duas semanas para evitar um retorno de medidas restritivas;

* Califórnia, Oregon e Washington emitiram um alerta desencorajando viagens não essenciais e solicitando que as pessoas fiquem em quarentena após viajar;

* Nova York ordenou que bares e restaurantes do Estado que servem bebidas alcoólicas fechem às 22h, limitou as reuniões a dez participantes mas manteve as escolas públicas abertas, apesar de ter indicado que elas podem voltar a fechar;

* Em Chicago, empresas de serviços não essenciais devem fechar até as 23h, e reuniões estão limitadas a dez pessoas;

* Detroit colocou todos os alunos em regime de ensino à distância;

* Indiana interrompeu a reabertura da economia e limitou eventos e reuniões sociais;

* Maryland ordenou que restaurantes reduzam a capacidade para 50%.

Preocupações com a aproximação de outro feriado

Os surtos na primavera e no verão seguiram-se às férias de primavera nas escolas dos Estados Unidos e ao feriado nacional do Dia do Trabalho. Agora, especialistas estão preocupados que, com o Dia de Ação de Graças, em 26 de novembro, os surtos piorarem novamente.

É o que vem ocorrendo na fronteira com o Canadá, onde as pessoas comemoraram o Dia de Ação de Graças há um mês. Os principais médicos do país dizem que o feriado é em parte o motivo pelo qual cidades e províncias estão tendo infecções recordes.

Os dados mostram que a maioria dos Estados Unidos têm uma "disseminação comunitária" crescente do vírus. Em situações assim, o vírus se espalha livremente.

Reuniões representam um grande risco de propagação do vírus e, como o Dia de Ação de Graças gira em torno de famílias e amigos comerem juntos, o uso de máscaras não é viável.

Uma análise de pesquisadores do Instituo de Tecnologia da Geórgia descobriu que o risco de haver uma pessoa infectada em uma reunião de dez pessoas pode ser próximo a 100% nas partes mais afetadas do país.

Em outubro, o especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci advertiu que a "sagrada" tradição americana de se reunir no Dia de Ação de Graças era "um risco".

"Você pode ter que abrir mão desse encontro, a menos que tenha certeza de que as pessoas com quem está lidando não estão infectadas", disse Fauci à CBS News.

Línea

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