Eleições nos EUA: 'Trumpismo saiu vitorioso, seja qual for o presidente eleito'

Crédito, Reuters
- Author, Juan Luis Manfredi*
- Role, The Conversation
- Tempo de leitura: 4 min
Como tantos que acompanham a política e as notícias internacionais, estou ligado nos desdobramentos das eleições nos Estados Unidos desde o amanhecer.
Devo confessar que não sabemos como tudo vai terminar nem quem será proclamado o vencedor.
Sim, são as eleições mais atípicas da história, e não no melhor sentido da palavra.
No entanto, podemos antecipar que o vencedor das eleições é Donald Trump, o 45º Presidente dos Estados Unidos.
Seu estilo e sua ação política triunfaram, de modo que, no dia 20 de janeiro, seja ele ou o democrata Joe Biden o novo presidente, quem estiver nesse cargo terá que liderar uma sociedade norte-americana mais dividida do que nunca e atuar em um ambiente internacional instável.
Por isso, o trumpismo triunfou, já se consolidou como uma crescente corrente intelectual. Suas características, antes fracas, agora são decisivas no comportamento político.
O trumpismo representa um complô emocional com o eleitor. Os caipiras decidiram que o presidente Trump se parece com eles não tanto por causa de quem são, mas por causa do que pensam que seus avós eram.
O conto mítico de uma América empreendedora, capaz de realizar seus sonhos e ter sucesso, encaixa-se no bilionário de Nova York.
Trump vence na política de emoções e no sonho de resgatar um Estados Unidos líder na economia mundial e na cultura política.
Esse parnaso nunca existiu, mas pouco importa. Acompanhe a geografia política e eleitoral do Mississippi para entender o que quero dizer e agora agregue os 29 delegados eleitorais da Flórida.
Houve uma reviravolta eleitoral.
Polarização de guerra
A linguagem da guerra é de uso comum. As declarações de Donald Trump e o manejo da sua conta no Twitter indicam que existe um "nós" e um "eles", uma forma de dividir a sociedade.
A polarização se alimenta do confronto, do inimigo, e da despersonalização do outro. Na era da política de identidade, a linguagem da guerra reduz o status de cidadão do outro.
Essa é uma má notícia para o presidente eleito, que deve governar por todos e não apenas pelos eleitores transfigurados em torcedores.
A liderança agressiva explica por que um candidato pede para interromper a recontagem, diminui o valor do voto pelo correio e desconsidera procedimentos.
É inédito que o candidato prepare uma festa na própria Casa Branca ou que declare no meio da contagem que já é o vencedor. Quebra de tradição e costumes.
Não subestimo essa questão, pois acredito que a doutrina democrática inclui os procedimentos (normas formais e informais), os conteúdos (decisões e prioridades políticas) e os resultados (indicadores, avaliação e políticas públicas).
Assim, estamos em um caminho de judicialização de decisões e políticas que contribuem para o cenário conflitivo.

Crédito, EPA
Os três Ps das sociedades divididas
O trumpismo colhe os frutos, e as sociedades abertas não acertam na resposta. A provocação, como os tuítes que publica a qualquer momento com insultos e zombarias a qualquer grupo social.
Seja sobre minorias raciais, mulheres ou imigrantes, a provocação fragmenta a cultura cívica do país.
A polarização é a pedra angular do populismo e do trumpismo. Eles estão contra nós.
A polarização explica que o eleitor de Trump não fracassou e lança seu voto eleitoral, enquanto o "eles" democrata não acaba se identificando como bloco.
O tratamento pop de ícones, emoticons e emojis contribui para a simplificação.
O protesto vem de uma crítica direta e inequívoca aos requisitos formais, e as demandas sociais não têm lugar na conversa pública ou no Congresso.
Devemos sair às ruas para lutar por direitos e defender o resultado eleitoral. Os apelos de Trump aos meninos orgulhosos e aos movimentos libertários são um perigo para a coexistência.
Nesse cenário, Trump já venceu porque conseguiu que as eleições fossem consideradas em termos binários.
Como um referendo, você tem que escolher continuar com o presidente ou dar lugar ao novo candidato.
Nesse caso, o trumpismo representa uma opção vencedora e atraente, por ser anti-sistema.
Contra o establishment. Contra as elites de Nova York ou San Francisco. Contra a globalização. Contra os recém-chegados. Contra a releitura da história e do legado dos pais fundadores.
Contra tudo, Trump cria um quadro vencedor contra a triste liderança sem carisma de Joe Biden. Ele é o candidato ideal para nós que amamos Woody Allen e assistimos a Friends sem parar. Mas não temos direito de voto neste processo.
Seja como for, o trumpismo acabou se contentando com uma overdose de hiperliderança que poderia repetir seu mandato.
Permanecemos atentos, pois a aventura ainda não acabou.
*Juan Luis Manfredi é professor de Jornalismo da Universidade de Castilla-La Mancha, na Espanha
Esse artigo de opinião foi publicado originalmente no site The Conversation e é publicado aqui sob uma licença Creative Commons.
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