Bolsonaro na Índia: em 7 pontos, como o Brasil se compara ao país asiático em indicadores econômicos e sociais

Bolsonaro na Índia

Crédito, Alan Santos/PR

Legenda da foto, Presidente participou de solenidades na Índia nesta sexta-feira
Tempo de leitura: 5 min

Se no início dos anos 2000 o Brasil e a Índia foram considerados promessas de economias que cresceriam muito, hoje se sabe que o crescimento econômico brasileiro não fez jus às expectativas.

Duas décadas depois, a expectativa para este ano é que o Brasil cresça três vezes menos que a Índia. Mas como estão outros indicadores econômicos e sociais?

No momento em que o presidente Jair Bolsonaro faz visita oficial à Índia, a BBC News Brasil traz a comparação dos dois países em 7 pontos, com índices que medem o desempenho dos países em diferentes áreas.

1) Crescimento econômico

A Índia deve crescer mais que o Brasil e que a média do mundo em 2020. Segundo a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB brasileiro deve terminar este ano com um crescimento de 2% e o indiano, de 7%. No mesmo período, o mundo deve crescer 3,4%, segundo a instituição.

Os dados dos últimos anos mostram que essa distância no crescimento não é novidade. Em 2018, por exemplo, o Brasil cresceu 1,1% e a Índia, 6,8%.

De 1998 a 2008, só houve dois anos em que o Brasil cresceu mais que a Índia: 2000 e 2008, segundo dados compilados pelo Banco Mundial. O gráfico abaixo mostra o crescimento da economia nos dois países nos últimos 20 anos.

gráfico mostra que Brasil cresceu abaixo do ritmo da Índia nos últimos anos

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Crescimento econômico do Brasil está abaixo do indiano nos últimos anos.

Quando o tamanho do PIB é dividido pela quantidade de pessoas no país, no entanto, o Brasil sai bem na frente.

A população brasileira (209 milhões) é seis vezes menor que a população da Índia, de mais de 1,3 bilhão de pessoas.

Nos mesmos 20 anos (1998 a 2008), o PIB per capita do Brasil esteve sempre acima do indiano, conforme mostra o gráfico do Banco Mundial, que compara o PIB per capita dos dois países em dólares:

gráfico mostra que PIB per capita do Brasil ficou acima do indiano nos últimos 20 anos

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Evolução do PIB per capita (em dólares) nos últimos 20 anos.

2) Comércio exterior

Os dados sobre comércio exterior mostram que a economia da Índia é mais aberta que a brasileira.

No Brasil, as exportações e importações foram o equivalente a 29% do PIB em 2018; na Índia, esse índice foi de aproximadamente 43%.

O gráfico abaixo, com dados compilados pelo Banco Mundial, mostra quanto o comércio exterior representa em percentual do PIB de cada um dos países:

Gráfico mostra que Índia tem mais trocas comerciais com o resto do mundo do que o Brasil.

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Trocas comerciais (em % do PIB): economia brasileira é mais fechada que a indiana

3) Expectativa de vida

Conforme tem acontecido no mundo todo, a expectativa de vida ao nascer aumentou tanto na Índia quanto no Brasil nos últimos 20 anos.

Nesse quesito, no entanto, o Brasil vence da Índia. O dado mais recente (2017) mostra que, ao nascer, um brasileiro tem expectativa de vida cerca de seis anos maior que a de um indiano. Para o Brasil, são pouco mais de 75 anos e, na Índia, 69 anos.

Gráfico mostra que expectativa de vida ao nascer é maior no Brasil do que na Índia

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Expectativa de vida ao nascer é maior no Brasil do que na Índia

4) Desenvolvimento humano

O Brasil tem um índice de desenvolvimento mais alto que a Índia, segundo relatório de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

No ranking de 189 países classificados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil aparece na posição 79 (com IDH de 0,761 em 2018). A Índia ficou na posição 129, com IDH de 0,647 no mesmo período.

Esse indicador vai de zero a um e, quanto mais alto o número, maior o desenvolvimento humano. O índice mede o progresso dos países em três áreas: renda, saúde e educação.

Índice de Desenvolvimento Humano. . *Indicador vai de 0 a 1; quanto mais alto, maior o desenvolvimento humano..

No topo do ranking, estão Noruega e Suíça, que são classificados com IDH "muito alto".

No fim da lista, com IDH baixo, aparecem nas piores posições a Nigéria e a República Centro-Africana.

5) Concentração de renda

O Brasil e a Índia empatam na concentração de renda dos 10% mais ricos, segundo o relatório de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2019.

Nos dois países, a parcela dos 10% mais ricos da população concentra 55% do total da renda (quando são consideradas todas as formas de renda, não apenas as respostas nas pesquisas domiciliares).

Com uma concentração ainda maior que Brasil e Índia, aparecem o Oriente Médio (61%) e a África Subsaariana (57%). Na Europa, por exemplo, esse índice é de 34%.

Considerando a renda de toda a população de 2000 a 2018, o crescimento no Brasil foi de 5% e o da Índia, muito maior: 122%.

Quando olhamos para a parcela mais pobre da população, no entanto, a evolução no Brasil foi melhor que a da Índia.

O relatório mostra quanto cresceu a renda dos 40% mais pobres em comparação ao crescimento total da renda no país. No Brasil, a renda desse grupo cresceu 14 pontos percentuais acima da média entre 2000 e 2018. Na Índia, a renda dos 40% mais pobres cresceu 64 pontos percentuais abaixo do crescimento médio no mesmo período.

6) Educação

Uma das formas de medir o acesso à educação é a quantidade de pessoas na escola, dividida pela população que oficialmente deveria estar nessa etapa de ensino.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) compilados pelo Banco Mundial mostram que o Brasil e a Índia aparecem muito próximos na comparação de matrículas no ensino primário — etapa que, no Brasil, corresponde aos anos iniciais do ensino fundamental (de 1º a 5º ano).

É a educação primária, segundo a Unesco, que "tem o objetivo de fornecer aos alunos uma educação básica sólida em leitura, escrita e matemática, bem como uma compreensão elementar de temas como história, geografia, ciências naturais, ciências sociais, artes e música".O Brasil aparece com um índice de 115% e a Índia, com 112%. O número passa de cem porque, por esse cálculo bruto, também são considerados os alunos que, em teoria, já passaram da idade de estar naquela etapa de ensino — como um adulto cursando o ensino primário, por exemplo.

gráfico mostra que Brasil e Índia estão próximos em relação ao índice de matrículas no ensino primário

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Índice de matrículas no ensino primário em relação à quantidade de pessoas que oficialmente deveriam estar nessa etapa de ensino.

7) Emissões de CO2

A emissão de gás de efeito estufa vem crescendo em ritmo mais acelerado na Índia do que no Brasil.

A emissão de CO2 na Índia (2,238 milhões de quilotoneladas) é mais de quatro vezes maior que a do Brasil (529 mil quilotoneladas), segundo dados de 2014.

No entanto, como a população indiana é seis vezes maior que a brasileira, quando esse valor é comparado ao tamanho da população, a proporção de emissão no Brasil por habitante é maior.

Veja no gráfico do Banco Mundial a evolução da emissão de CO2 de 1998 a 2014 (dado mais recente disponível):

gráfico mostra que a emissão de CO2 tem aumentado na Índia nos últimos anos

Crédito, Banco Mundial

Legenda da foto, Emissão de CO2 na Índia cresce em ritmo mais acelerado que no Brasil.

A grafia da palavra Brasil aparece como Brazil nos gráficos pois eles foram extraídos da página do Banco Mundial, em inglês.

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