Covid: as vacinas são capazes de proteger contra a variante ômicron?

Ampolas de vacina dentro de bolhas de sabão

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Compreender quanta proteção uma vacina oferece não é tão simples quanto parece
    • Author, Melissa Hawkins
    • Role, The Conversation*
  • Tempo de leitura: 5 min

A pandemia trouxe muitos termos e ideias complicadas da epidemiologia para a vida de todos.

Dois conceitos particularmente complexos são a eficácia e a efetividade das vacinas. Não são a mesma coisa.

E à medida que o tempo passa e novas variantes, como a ômicron, surgem, ambas também estão mudando.

Melissa Hawkins é epidemiologista e pesquisadora de saúde pública na American University, em Washington, nos EUA.

Ela explica como os pesquisadores calculam quão bem uma vacina previne doenças, o que influencia nas taxas de efetividade e eficácia e como a ômicron está mudando as coisas.

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1. O que as vacinas fazem?

Uma vacina ativa o sistema imunológico para produzir anticorpos que permanecem em seu corpo para lutar contra a exposição a um vírus no futuro.

As três vacinas atualmente aprovadas para uso nos EUA — Pfizer-BioNTech, Moderna e Johnson & Johnson — apresentaram um sucesso impressionante em testes clínicos.

Injeção sendo aplicada no braço de uma pessoa

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Os ensaios clínicos são usados ​​para calcular a eficácia de uma vacina, mas não representam necessariamente as condições do mundo real

2. Qual é a diferença entre eficácia e efetividade da vacina?

Todas as vacinas novas devem passar por ensaios clínicos nos quais os pesquisadores testam as vacinas em milhares de pessoas para examinar como funcionam e se são seguras.

A eficácia é a medida do quanto uma vacina funciona bem em ensaios clínicos. Os pesquisadores planejam os testes para incluir dois grupos de pessoas: os que recebem a vacina e aqueles que recebem um placebo. Eles calculam a eficácia da vacina comparando quantos casos da doença ocorrem em cada grupo, vacinado versus placebo.

A efetividade, por outro lado, afere o desempenho de uma vacina desempenha no mundo real. É calculada da mesma forma, comparando os casos da doença entre pessoas vacinadas e não vacinadas.

A eficácia e a efetividade são geralmente próximas entre si, mas não necessariamente iguais. O funcionamento das vacinas vai variar um pouco em relação aos resultados do ensaio, uma vez que milhões de pessoas estão sendo vacinadas.

Muitos fatores influenciam o desempenho de uma vacina no mundo real. Novas variantes, como a delta e a ômicron, podem mudar as coisas.

O número e a idade das pessoas que participam dos testes são importantes. E a saúde de quem recebe a vacina também.

A adesão à vacina — a proporção da população que é vacinada — também pode influenciar sua efetividade.

Quando uma proporção grande o suficiente da população é vacinada, a imunidade coletiva começa a entrar em ação.

Vacinas com eficácia moderada ou até mesmo baixa podem funcionar muito bem a nível populacional.

Da mesma forma, vacinas com alta eficácia em ensaios clínicos, como vacinas contra o coronavírus, podem ter uma efetividade menor e um impacto pequeno se não houver alta adesão da população à vacina.

A distinção entre eficácia e efetividade é importante, porque uma descreve a redução do risco alcançada pelas vacinas sob condições de ensaio clínico, e a outra descreve como isso pode variar em populações com diferentes níveis de exposição e de transmissão.

Os pesquisadores podem calcular as duas, mas não são capazes de elaborar um estudo que meça ambas simultaneamente.

3. Como se calcula a eficácia e a efetividade?

Tanto a Pfizer quanto a Moderna informaram que suas vacinas demonstraram eficácia superior a 90% na prevenção da infecção sintomática por covid-19.

Dito de outra forma, entre aqueles indivíduos que receberam a vacina nos ensaios clínicos, o risco de contrair covid-19 foi reduzido em 90% em comparação com aqueles que não tomaram a vacina.

Imagine como se realiza um teste de vacina. Você seleciona aleatoriamente 1 mil pessoas para receber a vacina em um grupo. E outras 1 mil para tomar um placebo em outro grupo.

Digamos que 2,5% das pessoas no grupo vacinado contraiam covid-19, em comparação com 50% no grupo não vacinado. Isso significa que a vacina tem 95% de eficácia.

Determinamos isso porque (50% - 2,5%) / 50% = 0,95. Portanto, o percentual de 95% indica a redução na proporção da doença entre o grupo vacinado.

No entanto, o fato de uma vacina ter 95% de eficácia não significa que 5% das pessoas vacinadas vão contrair covid-19.

É uma notícia ainda melhor: seu risco de ficar doente é reduzido em 95%.

A efetividade da vacina é calculada da mesma maneira, mas é determinada por meio de estudos observacionais.

Logo no início, as vacinas apresentavam uma efetividade superior a 90% na prevenção de doenças graves no mundo real.

Mas, por sua própria natureza, os vírus mudam — e isso pode alterar a efetividade das vacinas.

Por exemplo, um estudo mostrou que em agosto de 2021, quando a delta estava em alta, a vacina da Pfizer era 53% efetiva na prevenção de doenças graves em residentes de casas de repouso que haviam sido vacinados no início de 2021.

Neste caso, a idade, os problemas de saúde, o declínio da imunidade e a nova variante foram fatores que diminuíram a efetividade.

Ômicron

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, As novas variantes do coronavírus são ligeiramente diferentes da cepa original na qual as vacinas foram baseadas — por isso, a imunidade às variantes pode ser diferente

4. E quanto à variante ômicron?

Os dados preliminares sobre a ômicron e as vacinas estão chegando rapidamente e revelando uma efetividade menor da vacina.

As melhores estimativas sugerem que as vacinas são cerca de 30%-40% efetivas na prevenção de infecções, e 70% efetivas na prevenção de doenças graves.

Um estudo em fase de pré-print— que ainda não foi revisado formalmente por outros cientistas — conduzido na Alemanha mostrou que os anticorpos no sangue coletado de pessoas totalmente vacinadas com Moderna e Pfizer apresentaram eficácia reduzida na neutralização da variante ômicron.

Outros pequenos estudos em fase de pré-print na África do Sul e na Inglaterra mostraram uma diminuição significativa em quão bem os anticorpos atacam a ômicron.

Mais surtos de infecções são esperados, com a diminuição da capacidade do sistema imunológico de reconhecer a ômicron em comparação com outras variantes.

Ampolas de vacina

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Muitas pessoas no mundo não têm oportunidade de receber a dose de reforço

5. O reforço da vacina aumenta a imunidade contra a ômicron?

Os dados iniciais estabelecem que uma terceira dose ajudaria a estimular a resposta imunológica e a proteção contra a ômicron, com estimativas de 70% -75% de efetividade.

A Pfizer informou que as pessoas que receberam duas doses da sua vacina são suscetíveis à infecção por ômicron, mas que uma terceira dose melhora a atividade dos anticorpos contra o vírus.

Isso foi baseado em experimentos de laboratório usando o sangue de pessoas que tomaram a vacina.

As doses de reforço podem aumentar a quantidade de anticorpos e a capacidade do sistema imunológico de uma pessoa de se proteger contra a ômicron.

No entanto, diferentemente dos EUA, grande parte do mundo não tem acesso a doses de reforço.

6. O que tudo isso significa?

Apesar da redução da efetividade das vacinas contra a ômicron, está claro que as vacinas funcionam e estão entre as maiores conquistas de saúde pública.

As vacinas apresentam vários níveis de efetividade e ainda são úteis.

A vacina contra a gripe costuma ter uma efetividade de 40% a 60% — ela previne a doença em milhões de pessoas, e a hospitalização em mais de 100 mil pessoas nos EUA anualmente.

Finalmente, as vacinas protegem não apenas aqueles que são vacinados, mas também aqueles que não podem ser vacinados.

As pessoas vacinadas têm menos probabilidade de transmitir covid-19, o que reduz as novas infecções e oferece proteção à sociedade em geral.

* Melissa Hawkins é professora de saúde pública na American University, nos EUA.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

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