DART: a missão da Nasa para proteger a Terra de asteroides

Crédito, NASA
Imagine um asteroide vindo em direção à Terra com a possibilidade de causar grandes estragos, ou até mesmo acabar com a existência humana.
Cenários como esse ainda estão restritos às telas dos cinemas.
Mas existe um temor de que isso possa se tornar realidade no futuro. Se um pedaço de detritos cósmicos medindo algumas centenas de metros de largura colidisse com nosso planeta, isso poderia desencadear uma devastação em um continente inteiro.
Nesse sentido, a Nasa, a agência espacial americana lançará nesta quarta-feira (24), às 3h20 (horário de Brasília) uma espaçonave para atingir um asteroide — propositalmente — e mudar seu caminho, testando pela primeira vez um método de "defesa planetária".

Crédito, NASA
Na missão batizada de Double Asteroid Redirection Test (Dart), orçada em quase R$ 1,8 bilhão, um foguete SpaceX Falcon 9 será lançado da Base da Força Espacial de Vandenberg, cerca de 80 km a noroeste de Santa Bárbara, no Estado da Califórnia.
Dois asteroides que orbitam o Sol e ocasionalmente se aproximam da Terra são os alvos da Nasa.
Segundo a agência, eles não representam uma ameaça ao nosso planeta, mas sua proximidade os torna um candidato preferencial para o teste de uma técnica que poderia algum dia impedir que um "asteroide perigoso atinja a Terra".
"Vamos garantir que uma rocha vinda do espaço não nos mande de volta à Idade da Pedra", diz Thomas Statler, cientista da Nasa, no podcast da agência espacial americana.

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Como funcionará a missão
O maior dos dois asteroides, Didymos, tem 780 metros de diâmetro. Ao redor dele, orbita um satélite natural menor, chamado Dimorphos.
Dimorphos, com cerca de 160 metros de diâmetro, é "mais típico do tamanho dos asteroides que podem representar a ameaça significativa mais provável para a Terra", segundo a Nasa. Objetos do tamanho de Dimorphos podem explodir liberando muitas vezes a energia de uma bomba nuclear tradicional, devastando áreas povoadas e causando dezenas de milhares de mortes.
Esse corpo celeste, segundo Statler, "não é necessariamente o asteroide que vai causar um efeito devastador na Terra". Em vez disso, o lançamento da espaçonave é um "teste para garantir que temos as capacidades para deter esse asteroide no futuro, se houver um".
"Existem muito mais asteroides pequenos do que grandes (com mais de 1km, que afetariam o planeta inteiro) e, portanto, a ameaça de asteroide mais provável que teremos que enfrentar, se é que vamos enfrentar uma, provavelmente será de um asteróide desse tamanho", disse Statler, da Nasa.
Em 2005, o Congresso instruiu a Nasa a descobrir e rastrear 90% dos asteróides próximos à Terra com mais de 140 m. Nenhum asteroide conhecido nesta categoria representa uma ameaça imediata para a Terra, mas apenas cerca de 40% desses objetos foram realmente encontrados.

O objetivo da missão é atingir Dimorphos a uma velocidade de quase 24 mil km/h e mudar sua órbita "por uma fração de 1%" — uma mudança pequena, mas significativa o suficiente de tal modo que os cientistas serão capazes de observá-la a partir de telescópios da Terra.
"A colisão mudará a velocidade da minilua em sua órbita ao redor do corpo principal em uma fração de um por cento, mas isso mudará o período orbital da minilua em vários minutos — o suficiente para ser observado e medido usando telescópios na Terra", diz a agência em seu site.
Se a Nasa detectar um asteroide que represente um risco para a Terra — segundo Statler, a agência não trabalha com essa hipótese pelo menos nos próximos 100 anos — ela tentaria atingi-lo e mudar seu curso, em vez de destruí-lo completamente.
A espaçonave Dart se separará do foguete SpaceX e navegará no espaço por mais de um ano antes de atingir Dimorphos no fim de setembro de 2022, quando a dupla de asteroides estará perto o suficiente da Terra — 11 milhões de quilômetros — de modo que os cientistas poderão vê-los.
O binário Dimorphos-Didymos é tão pequeno que, mesmo para os telescópios mais poderosos, ele aparece como um único ponto de luz. No entanto, Dimorphos bloqueia parte da luz refletida de Didymos quando ela passa na frente, enquanto o oposto ocorre quando o objeto menor se move para trás de seu companheiro maior.
"Podemos medir a frequência dessas manchas. É assim que sabemos que Dimorphos gira em torno de Didymos com um período de 11 horas e 55 minutos", explicou Andy Rivkin, líder de pesquisa da Dart.

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A interação será gravada por um lançamento da espaçonave de um satélite italiano de 14 kg chamado LICIACube. Ele enviará de volta imagens do impacto, a nuvem de detritos levantada e a cratera resultante no asteroide.
Após o impacto, os astrônomos farão novas medições da órbita dos dois corpos celetes. "Eles vão acontecer com um pouco mais de frequência. Talvez sejam dois a cada 11 horas e 45 minutos, talvez sejam 11 horas e 20 minutos", disse Rivkin, que trabalha no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (JHUAPL) em Laurel, no Estado de Maryland.
Um binário como o formado por Dimorphos e Didymos é considerado o laboratório natural perfeito para testar a tentativa de mudar o curso deles, e a eventual mudança poderá ser detectada por telescópios terrestres em semanas ou meses.

Há um certo grau de incerteza sobre como Dimorphos responderá ao impacto, em parte porque sua estrutura interna não é conhecida. Se Dimorphos for relativamente sólido por dentro, em vez de poroso, ele pode produzir muitos detritos. E isso poderia dar ao objeto um empurrão extra.
O método de Dart para lidar com um asteroide perigoso é conhecido como técnica de impacto cinético. No entanto, existem outras ideias para lidar com questões do tipo, incluindo mover o asteroide mais lentamente ao longo do tempo e até detonar uma bomba nuclear, uma opção familiar em filmes de Hollywood como Armageddon e Impacto Profundo.

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Embora não tenha como objetivo mudar o curso de um asteroide que destrua a Terra, a missão tem "proporções históricas", diz Statler.
Será "a primeira vez que a humanidade realmente mudou algo no espaço", acrescenta ele.
"Deixamos pegadas e marcas de pneus e coisas assim. Mas esta será a primeira vez que a humanidade mudará um movimento celestial", conclui.
*Com informações adicionais de Paul Rincon, editor de ciência da BBC News
*Esse texto foi publicado originalmente em 7 de outubro de 2021 e atualizado em 23 de novembro de 2021 com mais informações da missão divulgadas pela Nasa.

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