Batizado em homenagem a 'Guerra nas Estrelas', gibão-skywalker ganha status de nova espécie

Crédito, Fan Peng-Fei
- Author, Rebecca Morelle
- Role, Repórter de Ciência da BBC News
Cientistas classificaram como uma nova espécie um primata que vive em florestas do sudoeste da China.
O gibão vinha sendo estudado há alguns anos, mas novas pesquisas confirmaram que ele é diferente de todas as outras espécies conhecidas.
Ele foi batizado de gibão-hoolock-skywalker porque o nome chinês do animal significa "movimento celeste", o que inspirou a homenagem ao sobrenome dos protagonistas da série de filmes Guerra nas Estrelas.
A descoberta foi publicada na revista especializada American Journal of Primatology. E os cientistas esperam que ajude a preservar os primatas e outras espécies das florestas da região.
"Muitas espécies estão desaparecendo ou foram extintas por causa da perda de habitat, a caça indiscriminada e o crescimento populacional humano", disse à BBC Sam Turvey, da Zoological Society of London, e que fez parte do estudo.
"É um privilégio, então, ver algo tão especial e raro como um gibão na copa das árvores de uma floresta tropical chinesa. Especialmente quando esses gibões são uma nova espécie que a ciência antes não reconhecia."

Crédito, Fan Peng-Fei
Os gibões-hoolock existem em Bangladesh, Índia, China e Mianmar. Passam a maior parte de suas vidas no alto das árvores e raramente descem ao chão. Mas a equipe de cientistas, liderada por Fan Peng-Fei, da Universidade Sun Yat-sen, na China, suspeitou que os animais estudados na província chinesa de Yunnan eram incomuns.
Os hoolock têm sobrancelhas e barbas brancas, mas os gibões chineses tinham aparência diferente.
Além disso, suas canções, usadas para se relacionar com outros gibões e para marcar território, também tinham sons diferentes das de outras espécies.
Partindo disso, os cientistas fizeram comparações físicas e genéticas para confirmar que os primatas chineses eram uma espécie diferente.
Eles receberam até um nome científico específico - Hoolock tianxing.

Crédito, Fan Peng-Fei
Turvey falou sobre as dificuldades de estudar os animais, que vivem em regiões remotas da reserva de Gaoligongshan.
"Você precisa atingir 2,5 mil metros de para encontrar os gibões - essa é o ponto em que a floresta é mais densa, pois tudo na parte mais baixa já foi derrubado. Depois, é preciso acordar de madrugada para tentar localizá-los na copa das árvores", explicou o britânico.
"E quando você ouve os guinchos deles, você precisa correr pela lama, em meio à neblina, por centenas de metros, para tentar alcançá-los."
Os cientistas estimam que haja 200 gibões-skywalker na China - e alguns vivendo na vizinha Mianmar, embora o tamanho da população seja desconhecido. Esses primatas correm risco de extinção.
"O número baixo de espécimes e as ameaças que enfrentam nos fazem pensar que eles devam ser classificados como espécie ameaçada", afirma Turvey.
A notícia da descoberta dos gibões despertou o interesse de ninguém menos que o ator Mark Hamill, que faz o papel de Luke Skywalker na saga de Guerra nas Estrelas.
Pelo Twitter, Hamill disse estar "orgulhoso de ter um cavaleiro Jedi das selvas com seu sobrenome".














