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Atualizado às: 07 de março, 2005 - 03h11 GMT (00h11 Brasília)
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China é gigante tentando chegar ao centro do mundo

Catadores de lixo na periferia de Xangai
Catadores de lixo na periferia de Xangai
Há algum tempo, a China era chamada de "gigante adormecido". Hoje, na posição de economia que mais cresce no mundo, passou a ser conhecida como "gigante acordando".

Mas talvez seja mais útil enxergá-la como outra coisa: um gigante que quer reconquistar o seu lugar de direito – e para ela esse lugar é o centro do mundo.

O mundo que a China conheceu no passado era relativamente pequeno. E ainda assim os governantes chineses se viam como supremos nesse mundo.

"Antes do 'século da humilhação', que começou por volta de 1840, quando o império britânico invadiu a China e se manteve até a entrada dos comunistas, em 1949, o país asiático era uma potência que emergia", diz Steven Tsang, do St. Anthony's College da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.

"Da sua perspectiva, a China sempre foi uma potência mundial."

Desse ponto de vista, o que está acontecendo agora é um crescimento estável do poderio econômico chinês, com o apoio de um força militar cada vez mais sólida. Tudo com o objetivo de preparar o país para retomar seu papel no mundo e se recuperar das humilhações do passado.

Impacto mundial

Já faz 25 anos que a China começou a reformar sua economia e a se abrir para o mundo.

Nesse período, ela passou de um enclave comunista pobre e introspectivo ao lugar de uma das mais importantes economias do planeta.

Usina em Pequim
A demanda chinesa por energia preocupa o mundo

Produtos fabricados na China são encontrados em qualquer casa do mundo ocidental. A demanda de matéria-prima para impulsionar sua economia fez com que a China fosse procurar fornecedores na América do Sul e na África.

Agora, as empresas chinesas estão começando a comprar famosas companhias estrangeiras.

Em resumo, pela primeira vez na história contemporânea, o desenvolvimento da China tem tido impacto na vida de todos os habitantes da Terra.

Rival dos EUA?

Mas com que tipo de China estamos lidando? E ela vai se tornar uma superpotência capaz de rivalizar com os Estados Unidos, como alguns analistas prevêem?

A China é paciente – ela esperou que Hong Kong fosse devolvida ao seu controle.

A China também é determinada – ela não vai permitir a independência de Taiwan.

Apesar disso, para o analista Tsang, a China não conseguirá exercer sua influência sobre o mundo dentro dos próximos 20 anos.

"A China é uma grande potência econômica, isso não se questiona. Ela gostaria de ser vista como uma potência em ascenção, mas que surge de maneira pacífica e responsável. Sua diplomacia tem sido tremendamente eficiente nesse sentido", afirma Tsang.

Opiniões como essa, no entanto, não impedem os Estados Unidos de enxergarem a China como um "concorrente estratégico", nas palavras do presidente americano, George W. Bush.

E tamanho é o impacto da China no mundo que a questão da venda de armas ao país agora entrou na pauta das negociações entre os Estados Unidos e a União Européia.

A enorme demanda de energia da China também é um fator de preocupação. O país já começou, por exemplo, a importar petróleo do Irã. E isso terá conseqüências. A China poderá vetar qualquer sanção que o Conselho de Segurança da ONU venha a impor contra o Irã.

Um dia a China será pressionada a assinar acordos como o Protocolo de Kyoto, do qual se exime, por enquanto, devido à sua condição oficial de país em desenvolvimento.

Influência local

A China já está exercendo uma influência na Ásia.

Mas a questão agora é: que tipo de influência ela China quer ter?

Até o momento, ela tem se contentado em fazer isso cautelosamente. O país raramente causa distúrbios no Conselho de Segurança.

"A China quer ser a potência regional da Ásia e reduzir a influência dos Estados Unidos no local", diz Andrew Kennedy, diretor do programa de Ásia do Royal United Services Institute, em Londres.

"Mas ela precisa de seus vizinhos e está batalhando por amizades. Altos funcionários do governo e do Partido Comunista Chinês (PCC) estão fazendo visitas oficiais. Eles também tem cortejado a Europa, principalmente a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha."

O impasse com Taiwan

Mísseis em Taiwan
Taiwan é 'nuvem negra' no horizonte chinês

A nuvem negra no horizonte é o arquipélago de Taiwan, onde muitos dos governantes da China pré-comunista se refugiaram depois de 1949.

A política chinesa em relação a Taiwan é clara. Um documento produzido pelo Ministério da Defesa da China em dezembro de 2004 dizia: "nunca permitiremos que alguém separe Taiwan da China, por quaisquer meios. Caso as autoridades de Taiwan avancem no sentido de fazer algo que constitua uma tentativa de tornar Taiwan independente, o povo chinês e as forças armadas vão reprimi-las decididademente, a qualquer preço".

Isso explica o fato de a China seguir se equipando militarmente. Segundo o analista Andrew Kennedy, os gastos militares do país são provavelmente sete ou oito vezes maiores do que os US$ 25 bilhões declarados.

A China tem comprado muitos armamentos da Rússia e vem tentando também comprar do resto da Europa.

"A China ainda não está na posição de declarar um ataque estilo 'Dia D' em Taiwan, mas ela sabe que não precisa invadir. Ela pode bloquear o acesso ao arquipélago, e de fato está aumentando seu poderio marítimo com destróieres e submarinos", afirma Kennedy.

A incógnita em um eventual conflito seria a atitude dos Estados Unidos, que nos últimos anos têm mantido uma atitude deliberadamente ambígua.

Os americanos não querem dar carta branca para a independência de Taiwan nem para a invasão chinesa.

A lei que rege a resposta dos Estados Unidos, o Ato de Relações com Taiwan, de 1979, prevê que os americanos "se compromentam a abastecer Taiwan com armas de caráter defensivo". Mas a defesa militar de Taiwan será uma decisão a ser tomada no momento necessário.

Segundo o analista Steven Tsang, a China vai preferir a dominação pela ameaça da força.

"A filosofia militar chinesa de hoje é a mesma que há 2 mil anos, a de ganhar sem lutar", afirma.

A pergunta que o resto do mundo deve se fazer sobre a China é se o atual regime híbrido comunista/capitalista, surgido com as recentes reformas econômicas, vai durar.

"Acredito que isso vai cair um dia", diz Tsang". "O Partido Comunista não vai durar outros 30 anos."

"O que surgirá será uma China diferente, democrática. Aí a antiga mentalidade de ser a primeira potência vai desaparecer, e uma China benigna vai se materializar."

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