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Atualizado às: 15 de maio, 2004 - 04h46 GMT (01h46 Brasília)
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Sob o peso da Aids e da malária, Gana ignora Down

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Os três principais problemas de saúde pública em Gana são malária, tuberculose e HIV/Aids.

Por causa do efeito avassalador deste trio, a questão da síndrome de Down não está entre as prioridades do governo.

Em Gana, não é possível fazer o cariótipo, exame de cromossomos para confirmar geneticamente a síndrome.

Assim, uma criança que nasce com Down no país vai para casa sem ter feito exames básicos, como o do coração, o dos intestinos e o da tireóide.

Os pais também não são informados da necessidade de estímulos diários para reduzir os atrasos motores e mentais inerentes à condição.

Mudança lenta

Gana é um dos países que mais “exportam” médicos e enfermeiros para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Os que voltam para casa trazem a vivência de terem sido expostos à realidade das pessoas que vivem com Down nos chamados países desenvolvidos.

São esses profissionais que lentamente, e a duras penas, começam a se mexer para incrementar a conscientizacão em torno da síndrome.

Por meio de palestras ministradas a seus colegas de ofício no maior hospital do país, Korle-Bu, na capital, Acra, o pediatra Ben Badoe busca ressaltar a importância do diagnóstico natal.

“Eu atendi em Korle-Bu uma criança de dois anos e meio com Down que não tinha sido até então diagnosticada. Ela morreu na enfermaria, de broncopneumonia, e a mãe não tinha noção de que a filha tinha a síndrome”, conta Badoe.

 O nosso sistema não está preparado para absorvê-las. Por isso ensinamos atividades profissionalizantes como o artesanato, que permite que eles ganhem algum dinheiro e sejam produtivos.
Salome François, fundadora de uma escola que atende portadores de Down em Gana

Em Acra, as pessoas com Down têm mais chances de sobreviver do que no interior.

"Devolvidas aos ancestrais"

“Os valores locais são muito importantes na nossa cultura, e na selva as crianças que nascem com a síndrome de Down são devolvidas aos ancestrais em rituais que acontecem à noite e em que elas são enterradas vivas”, diz Badoe.

A New Horizon, uma escola particular mantida por pais e por doações esporádicas, numa iniciativa inédita e única em Gana, tem 165 alunos entre 6 e 47 anos, todos com deficiência mental. A metade deles tem síndrome de Down.

Na escola há duas meninas que foram salvas, na última hora, de serem sacrificadas.

Segundo a fundadora da escola, Salome François, as crianças que nascem com Down muitas vezes são consideradas filhas de cobras, por causa do olho puxado e do pescoço, que tende a ser mais grosso que o das outras pessoas.

François hoje se preocupa também com o destino dos homens e mulheres que freqüentam a New Horizon.

“À medida que os anos passam, a gente percebe que essas pessoas não têm para onde ir”, diz.

“O nosso sistema não está preparado para absorvê-las. Por isso ensinamos atividades profissionalizantes como o artesanato, que permite que eles ganhem algum dinheiro e sejam produtivos.”

“Abrimos nossos workshops para que a população veja os alunos trabalhando, e todos custam a acreditar no que eles são capazes. Temos uma loja em que as pessoas podem comprar os objetos feitos por eles, como tecidos e cestas, e 50% do lucro vão para estes estudantes.”

Portador de síndrome de DownÁudio - em inglês
Ouça reportagem sobre a Síndrome de Down em Gana.
Jovem com síndrome de DownÁudio - Em inglês
Ouça reportagem sobre portadores de Down no Brasil.
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