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Atualizado às: 10 de agosto, 2006 - 20h16 GMT (17h16 Brasília)
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Ações de empresas aéreas caem após alerta em Heathrow
Aviso de vôos cancelados em Heathrow
Companhias aéreas vinham se recuperando de tempos difíceis
Os preços das ações de empresas aéreas e de turismo caíram no mundo todo após a Scotland Yard anunciar que conseguiu interromper um plano para explodir aviões que fariam o percurso entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

A segurança em todos os aeroportos da Grã-Bretanha foi reforçada e vôos foram cancelados, provocando grandes atrasos e temores de que os problemas vão prejudicar os negócios.

O preço do petróleo também caiu devido ao temor de que as notícias dos planos frustrados de ataque possam diminuir a quantidade de viagens aéreas nos próximos meses, cortando o consumo de combustível.

Nos Estados Unidos o preço do barril do petróleo leve caiu US$ 1,25 para US$ 75,10.

O índice da Bolsa de Londres, o FTSE-100 - que lista as ações das cem maiores companhias do mercado londrino -, registrou queda de 37,1 pontos, para 5.823, com as ações da British Airways registrando 5,06% de queda.

Nos Estados Unidos as ações também iniciaram o pregão mais instáveis. Temores a respeito do impacto das notícias nas empresas áereas levaram a uma queda de 1,36% nas ações da Continental Airlines, enquanto a companhia proprietária da American Airlines, a AMR, registrou queda de 1,87% em suas ações. As ações da proprietária da United Airlines, a UAL, caíram 1,5%.

Ondas de choque

A companhia aérea britânica, British Airways, disse que é muito cedo para estimar o prejuízo do problema, acrescentando que ela suspendeu temporariamente todos os vôos domésticos e para a Europa que pousariam ou decolariam do aeroporto de Heathrow.

A Autoridade Britânica de Aeroportos (BAA, na sigla em inglês) disse que Heathrow foi fechado para todos os vôos que chegariam no aeroporto que ainda não tinham partido e pediu a passageiros para que evitem o local.

A operadora foi comprada pela empresa espanhola Ferrovial em junho e suas ações já registraram uma queda de 1,53% em Madri.

As ações de outras empresas aéreas também caíram, incluindo a companhia de baixo custo Ryanair, cujas ações caíram 1,46%. A operadora de duty-free Alpha Airports registrou 0,78% de queda e a empresa de viagens MyTravel 2%.

A empresa aérea alemã Lufthansa registrou queda nas ações após anunciar o cancelamento de todos os vôos à Grã-Bretanha até pelo menos 13h, no horário de Londres.

A franco-holandesa Air France-KLM , que formam juntas a maior companhia aérea européia, disse que suspendeu os vôos de Paris e cancelou alguns de Amsterdã.

A espanhola Ibéria, a italiana Alitalia e a grega Olympic Airlines suspenderam seus serviços e o aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, interrompeu os vôos para Londres.

Recuperação

A preocupação de muitas empresas é a de que, enquanto no curto prazo os custos fiquem limitados a alguns dias, no longo prazo os consumidores criem um temor que as obrigue a cancelar viagens e adiar planos de férias.

As empresas de viagens passaram por uma fase muito difícil após os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e qualquer queda na demanda de consumidores pode afetar receitas que já estão sob pressão por causa dos altos preços dos combustíveis.

De acordo com o consultor de empresas aéreas Derek Jewson, cerca de milhares de pessoas chegam a Londres por ar todos os dias para fazer negócios na cidade e qualquer alteração no tráfego aéreo prejudica muitas empresas de serviços, como as de táxi.

O alerta em Heathrow ocorre em um momento em que a indústria de turismo mundial começava a se recuperar de uma depressão causada por ataques terroristas anteriores, as preocupações com a Sars e o tsunami na Ásia.

De acordo com um relatório do grupo de turismo VisitBritain, o número de visitantes americanos e australianos na Grã-Bretanha aumentou 9% nos primeiros seis meses de 2006 em comparação com o ano anterior, enquanto que a quantidade de turistas do Leste europeu cresceu 6%.

Henk Potts, estrategista de ações da Barclays Stockbrokers, disse que a mais recente tentativa de ataque a bomba destaca os "riscos em investir no setor aéreo".

Porém, ele acrescentou que os "mercados tendem a se recuperar bem".

"Quando vimos os eventos no passado, como os ataques a bomba em Londres, as ações se recuperaram", explicou Potts.

"Você sempre verá uma venda de ações baseada nas manchetes de hoje, mas investidores e analistas agora vão esperar para ver a profundidade da questão", disse ele.

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