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Atualizado às: 22 de maio, 2006 - 21h18 GMT (18h18 Brasília)
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Ajuste dos mercados abala países emergentes

No Brasil, a Bovespa fechou em queda, e o dólar subiu
Os mercados de ações, especialmente nos países emergentes, viveram nesta segunda-feira ais um dia de preocupação e pessimismo.

As bolsas de mercadorias voltaram a a cair, juntamente com os preços do ouro e do petróleo, que chegou a ser negociado a menos de US$ 68 o barril, fechando a US$ 69,23.

As bolsas de valores nos Estados Unidos, Europa e Ásia também operaram em queda, com investidores preferindo tirar dinheiro do mercado de ações para buscar a segurança dos títulos do Tesouro americano.

Nos mercados emergentes, como Índia, Rússia, Turquia e países da América Latina, como o Brasil, ações, papéis dos governos e moedas despencaram. Na Índia, o pregão da bolsa de valores chegou a ser suspenso por uma hora.

No Brasil, a Bovespa operou em boa parte do dia em baixa de mais de 4% pontos, e o dólar fechou em alta de 3,7% a R$ 2,29.

A mudança de humor dos mercados começou há cerca de dez dias, puxada pelas quedas das bolsas de mercadorias, e se alastrou para as bolsas de valores em todo o mundo.

Para alguns analistas, o que está acontecendo é o estouro de uma bolha especulativa nos mercados de materias-primas (commodities).

"O que mudou foi o otimismo que estava tão evidente em abril e na primeira metade de maio. E era baseado nas noticias de crescimento econômico na Ásia, na Europa e nas Américas", disse Arturo Porzecanski, professor de Finanças Internacionais da New York University e da American University em Washington.

"Acreditava-se que, seguramente, as matérias-primas, as bolsas, tudo continuaria subindo."

De acordo com Porzecanski, "dentro deste clima de super otimismo, começamos a criar uma bolha especulativa na área das matérias-primas, em que todos os recordes começaram a ser batidos".

O estopim das quedas teria sido o fato de o Federal Reserve (banco central dos EUA) ter deixado a porta aberta para novos aumentos na taxa de juros no país, que já alcançou os 5% ao ano.

Correção nos mercados

Para o diretor da corretora londrina de fundos hedge Liability Solutions, Wilber Colmerauer, os mercados estão corrigindo exageros corridos nos últimos meses.

"Era uma correção já esperada. Ninguém sabia quando viria, mas os mercados vinham subindo na esteira de que havia muita liquidez, de que a economia americana estava indo bem, que os emergentes iam bem," afirmou.

"Chega um ponto em que o mercado se pergunta se está subindo demais. As pessoas ganharam bastante dinheiro no primeiro trimestre, e há uma realização de lucros em abril e maio todos os anos", disse Colmerauer.

A gota d'água para acabar com a frebre otimista teria sido a divulgação na semana passada da inflação para os consumidores nos Estados Unidos, acima do esperado.

Mais ressabiados, os investidores estariam saindo dos ativos de risco e comprando títulos de renda fixa, como papéis do Tesouro americano de longo prazo.

Marco

"Ainda não acho que seja um momento de crise, mas um momento de ajuste," afirmou Colmerauer.

Porzecanski concorda: "Para o Brasil, os preços do aço, da soja nas nuvens são bons para os produtores, exportadores e para a moeda. Mas um dólar perto de R$ 2,30 ainda é forte. O real vai continuar elevado, o Banco Central vai ter espaço para baixar juros, e as contas fiscais primárias vao continuar superavitárias."

Colmerauer ressalta que o mercado teria um marco psicológico: a chegada dos juros americanos a 6% ao ano, o que poderia causar um cenário de fuga de capitais de países como o Brasil.

Segundo ele, com juros americanos a 6% poderia haver "migração de recursos na área de mercado de riscos", para compra de títulos do governo dos Estados Unidos.

Mas Porzecanski, que era economista-chefe para países emergentes do ABN-AMRO em 2002, quando efetivamente houve fuga de capitais do Brasil, acredita que dois fatores seriam essenciais para que o cenário se repetisse.

"A experiência mostra que para ter um cenário de saída desordenada (de capital de risco) são necessários ou juros americanos muito altos, ou um Brasil com atitudes como a da Venezuela, Bolivia ou Argentina, que muda as regras ou fecha as portas para o investimentos estrangeiros. Não vamos ter crise no real ou nos mercados, como em 2002", prevê.

Porzecanski acredita também que a queda dos preços de commodities nas bolsas de mercadorias pode ajudar a estabilizar a situação atual: os Estados Unidos passam a importar as mercadorias mais baratas, o dólar já começou a se recuperar, e a inflação americana não será mais sendo pressionada pelas matérias-primas importadas.

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