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Atualizado às: 21 de abril, 2006 - 14h21 GMT (11h21 Brasília)
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Nigéria quita sua dívida com o Clube de Paris
Imagem de Lagos, Nigéria
A maioria da população nigeriana vive com menos de US$ 1 por dia
A Nigéria deve ser o primeiro país africano a quitar a sua dívida com o Clube de Paris, nesta sexta-feira, com um pagamento de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 9,55 bilhões).

O Clube de Paris é um grupo de 19 países credores que inclui, entre outros, a Grã-Bretanha, a Alemanha e a Rússia.

A medida deve abrir o caminho para que o governo aumente os investimentos em infra-estrutura, saúde e educação, o que poderia atrair mais investimentos externos.

A Nigéria passa por uma série de reformas na sua economia e está sendo beneficiada pelos preços recordes do petróleo, que permitiram que as reservas do país atingissem US$ 36 bilhões (R$ 76,4 bilhões).

“O Banco Central já converteu as moedas e agora é só aguardar o período normal do procedimento”, disse o diretor do escritório de gerenciamento da dívida da Nigéria, Mansur Muhtar, à agência de notícias Reuters. “As instruções necessárias já foram dadas.”

Depois do pagamento da dívida de US$ 4,5 bilhões, o país ainda fica com um débito de cerca de US$ 5 bilhões com outras instituições, como com o Banco Mundial.

A Nigéria é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, mas também uma das economias mais pobres, com a maioria da população vivendo abaixo da linha de pobreza.

A economia da Nigéria
PIB: US$ 76,4 bilhões
PIB por habitante: US$ 390
População abaixo da linha de pobreza: 60%
Expectativa de vida: 47
Receita vinda do petróleo: 20%
Divida externa: US$ 35 bilhões
Reservas: US$ 34 bilhões

Mesmo enfrentando atentados nas áreas de prospecção de petróleo no delta do rio Níger, a Nigéria tem tido ganhos recordes com as altas recentes no preço do barril do produto.

Durante os anos de ditadura militar, muito pouco da riqueza do petróleo chegou à população em geral. O atual governo está tentando reaver bilhões de dólares que estão em contas bancárias do general Sani Abacha na Suíça.

História longa

A dívida do país vem desde os anos 80, tendo chegado a US$ 35 bilhões no final dos anos 90 por causa de multas e acréscimos.

No ano passado, o país assinou um acordo de pagamento da dívida, que era um misto de pagamento em dinheiro com perdão de alguns débitos, possibilitado pelas robustas receitas proporcionadas pela venda de petróleo.

A Nigéria concordou em pagar ao Clube de Paris uma soma de US$ 12,4 bilhões (cerca de R$ 26,3 bilhões) contanto que o restante da dívida de US$ 30 bilhões (R$ 63,7 bilhões) fosse anulada.

O plano de pagamento da dívida foi aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no começo desta semana.

O pagamento da dívida é parte fundamental do plano do presidente Olusegun Obasanjo para estabilizar a economia do país, que também deve passar por privatizações, reforma fiscal e um aumento da transparência das contas públicas para atrair investidores.

A Nigéria foi retirada da "lista negra" dos credores internacionais e agora tem o mesmo crédito que outros países emergentes como Turquia e Ucrânia. Isso quer dizer que o governo agora pode negociar empréstimos em termos mais favoráveis.

Diferente dos vizinhos

A Nigéria escolheu um caminho diferente dos outros países africanos que são pressionados por suas dívidas externas, tendo ficado de fora da lista de países com dívidas externas altas (HIPC, ou Highly Indebted Poor Country), exatamente por causa de sua riqueza em petróleo.

Desta forma, o país não pôde tentar o perdão integral da dívida junto aos credores oficiais como o Clube de Paris, o Banco Mundial e o FMI.

Entretanto, os países listados no HIPC se submetem a rigorosas condições e o prazo para a aprovação do perdão da dívida é longo.

Escolhendo seu próprio caminho, a Nigéria teve como determinar o ritmo das suas negociações porque tem dinheiro para pagar os credores, que ficaram satisfeitos em receber só uma parte do valor, mas em dinheiro e à vista.

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