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Mercados asiáticos fecham ano em alta, apesar de tsunami | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os mercados da Ásia fecharam 2004 em alta apesar do maremoto que arrasou boa parte da região no final do ano. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio registrou ganhos de 107,20 pontos nesta quinta-feira, último dia de operações de 2004. A Bolsa japonesa teve meio expediente e será reaberta apenas na próxima terça-feira, dia 4 de janeiro. Os outros mercados asiáticos também encerraram as operações do ano. O índice japonês é tido como o termômetro da região, que em geral teve um ano de ganhos nos mercados financeiros. O melhor desempenho deve vir justamente da Indonésia, país mais afetado pelo desastre, com cerca de 40 mil mortos. Perspectivas para 2005 Embora o país tenha registrado a maior parte dos ganhos depois das primeiras eleições presidenciais diretas, a tendência de alta foi mantida nos dias seguintes ao maremoto. O único país que chegou a refletir nos mercados financeiros a destruição em terra foi o Sri Lanka – cerca de 5% no início da semana –, mas ainda assim o país deverá encerrar 2004 com uma alta de 40%, o terceiro melhor desempenho do ano na região. A Tailândia, que havia registrado os maiores ganhos de 2003, acumulou perdas neste ano, atribuídas, no entanto, às instabilidades políticas do país e não ao maremoto. Economistas justificam a dissociação entre a tragédia humana e o desempenho dos países afetados nas Bolsas com as boas perspectivas econômicas para 2005 para a região e para o mundo. Wall Street acumula altas recordes e diminuem os temores em relação à baixa do dólar e à alta do petróleo. Os investidores parecem acreditar que algumas áreas afetadas eram tão pouco desenvolvidas que a destruição terá pouco impacto nas empresas asiáticas listadas nas Bolsas. "Obviamente com muita perda de vida, é preciso muito tempo para limpar a bagunça, enterrar as pessoas e encontrar os desaparecidos. Mas não é necessariamente uma grande coisa em termos econômicos", afirma o estrategista para a Ásia do banco HSBC Eddie Wong. Embora os prejuízos na região sejam estimados em 10 bilhões de euros por alguns economistas, a tragédia deverá custar pouco, por exemplo, para as companhias seguradoras, dada a baixa cobertura do serviço na região. Especialistas entrevistados pela agência de notícias France Presse dizem ainda que, apesar da dimensão da destruição, a tragédia tem efeitos localizados, diferentemente de, dizem, atentados terroristas, que teriam efeitos de longo prazo. O impacto na economia do dia-a-dia das pessoas que vivem nas áreas afetadas, no entanto, deverá ser grande. A Tailândia espera perder US$ 768 milhões dos lucros que teria com o turismo nos próximos três meses, segundo o ministro do setor Sontaya Kunplome. O país prevê que o fluxo de turistas só deverá voltar ao normal em um ano. O governo das Ilhas Maldivas, por sua vez, teme que o custo da reconstrução se aproxime do Produto Interno Bruto (PIB) do país. "A nossa nação está em perigo", afirmou o porta-voz do governo Ahmed Shaheed, que estima os prejuízos nas ilhas em centenas de milhões de dólares para um PIB de US$ 660 milhões. O Banco Mundial e o FMI, no entanto, alertam que ainda é cedo para calcular prejuízos, alegando que a real dimensão da destruição ainda não é conhecida. "As calculadoras vão ter de esperar", disse um alto funcionário do FMI a repórteres em Washington. "A comunidade internacional e financeira vão se voltar para os esforços de reconstrução e nesse ponto as pessoas terão uma idéia do impacto financeiro." |
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