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Atualizado às: 30 de dezembro, 2004 - 05h44 GMT (03h44 Brasília)
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Mercados asiáticos fecham ano em alta, apesar de tsunami
Destruição tem pouco impacto para empresas listadas nas Bolsas
Destruição tem pouco impacto para empresas listadas nas Bolsas
Os mercados da Ásia fecharam 2004 em alta apesar do maremoto que arrasou boa parte da região no final do ano.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio registrou ganhos de 107,20 pontos nesta quinta-feira, último dia de operações de 2004. A Bolsa japonesa teve meio expediente e será reaberta apenas na próxima terça-feira, dia 4 de janeiro. Os outros mercados asiáticos também encerraram as operações do ano.

O índice japonês é tido como o termômetro da região, que em geral teve um ano de ganhos nos mercados financeiros.

O melhor desempenho deve vir justamente da Indonésia, país mais afetado pelo desastre, com cerca de 40 mil mortos.

Perspectivas para 2005

Embora o país tenha registrado a maior parte dos ganhos depois das primeiras eleições presidenciais diretas, a tendência de alta foi mantida nos dias seguintes ao maremoto.

O único país que chegou a refletir nos mercados financeiros a destruição em terra foi o Sri Lanka – cerca de 5% no início da semana –, mas ainda assim o país deverá encerrar 2004 com uma alta de 40%, o terceiro melhor desempenho do ano na região.

A Tailândia, que havia registrado os maiores ganhos de 2003, acumulou perdas neste ano, atribuídas, no entanto, às instabilidades políticas do país e não ao maremoto.

Economistas justificam a dissociação entre a tragédia humana e o desempenho dos países afetados nas Bolsas com as boas perspectivas econômicas para 2005 para a região e para o mundo. Wall Street acumula altas recordes e diminuem os temores em relação à baixa do dólar e à alta do petróleo.

Os investidores parecem acreditar que algumas áreas afetadas eram tão pouco desenvolvidas que a destruição terá pouco impacto nas empresas asiáticas listadas nas Bolsas.

"Obviamente com muita perda de vida, é preciso muito tempo para limpar a bagunça, enterrar as pessoas e encontrar os desaparecidos. Mas não é necessariamente uma grande coisa em termos econômicos", afirma o estrategista para a Ásia do banco HSBC Eddie Wong.

Embora os prejuízos na região sejam estimados em 10 bilhões de euros por alguns economistas, a tragédia deverá custar pouco, por exemplo, para as companhias seguradoras, dada a baixa cobertura do serviço na região.

Especialistas entrevistados pela agência de notícias France Presse dizem ainda que, apesar da dimensão da destruição, a tragédia tem efeitos localizados, diferentemente de, dizem, atentados terroristas, que teriam efeitos de longo prazo.

O impacto na economia do dia-a-dia das pessoas que vivem nas áreas afetadas, no entanto, deverá ser grande. A Tailândia espera perder US$ 768 milhões dos lucros que teria com o turismo nos próximos três meses, segundo o ministro do setor Sontaya Kunplome. O país prevê que o fluxo de turistas só deverá voltar ao normal em um ano.

O governo das Ilhas Maldivas, por sua vez, teme que o custo da reconstrução se aproxime do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

"A nossa nação está em perigo", afirmou o porta-voz do governo Ahmed Shaheed, que estima os prejuízos nas ilhas em centenas de milhões de dólares para um PIB de US$ 660 milhões.

O Banco Mundial e o FMI, no entanto, alertam que ainda é cedo para calcular prejuízos, alegando que a real dimensão da destruição ainda não é conhecida.

"As calculadoras vão ter de esperar", disse um alto funcionário do FMI a repórteres em Washington.

"A comunidade internacional e financeira vão se voltar para os esforços de reconstrução e nesse ponto as pessoas terão uma idéia do impacto financeiro."

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Guia mostra a situação país a país na região do maremoto.
Em imagens
Mortos e desabrigados em meio à destruição do tsunami na Ásia.
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