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Atualizado às: 23 de dezembro, 2004 - 12h00 GMT (10h00 Brasília)
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Putin defende ação do Estado na venda da Yukos
Putin
Putin: Rússia viveu um "capitalismo cowboy" no início dos anos 90
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a compra da principal unidade de produção da gigante petrolífera russa Yukos pela empresa de petróleo estatal Rosneft, afirmando que a transação seguiu os princípios básicos das leis do livre mercado.

Putin disse que a empresa estatal tem todo o direito de defender os seus interesses. A Rosneft comprou 100% do Grupo Financeiro Baikal, comprador-surpresa e antes misterioso da unidade da Yukos.

Segundo Putin, a operação articulada pelo governo russo teve como objetivo renacionalizar uma grande sucata da indústria petrolífera russa. A indústria petrolífera russa encontra-se em constante expansão.

A Rosneft controlará agora 16% de toda a produção de petróleo na Rússia.

"Capitalismo cowboy"

A Rosneft também deve em breve ser juntar à Gazprom, a maior empresa de gás do mundo, o que fará com que a Gazprom volte a ser controlada pelo Estado russo.

O grupo Baikal, antes praticamente desconhecido, acabou sendo o comprador da unidade Yuganskneftegaz, da Yukos.

"Tudo foi feito pelos métodos de mercado", disse Putin, em sua última coletiva de imprensa do ano em Moscou.

Dando algumas pistas sobre as novas motivações do Kremlin em relação à indústria de energia russa, Putin referiu-se a um período de "capitalismo cowboy" vivido pela Rússia após o fim da União Soviética.

Segundo Putin, as privatizações ocorridas no início dos anos 90 envolveram sonegação e quebra da lei por parte de pessoas com a intenção de enriquecer comprando estatais.

"Agora, o Estado, usando métodos de mercado, está salvaguardando os seus interesses. Acho isso normal", disse o presidente russo.

Um porta-voz da Gazprom disse que a aquisição é parte de um projeto para construir uma "corporação nacional equilibrada de energia".

A Baikal comprou a Yuganskneftegaz por 260,75 bilhões de rublos (equivalente a R$ 25,4 bilhões). O preço de venda não chegou nem perto dos cerca de R$ 72 bilhões que a empresa devia por sonegação fiscal e multas, segundo o governo russo.

Ao realizar o leilão, o governo russo ignorou uma decisão da Justiça americana que proibia o desmembramento da Yukos.

O resultado surpreendeu analistas que esperavam que a favorita – a Gazprom – fosse comprar a subsidiária da Yukos.

A Gazprom e o Baikal Finance Group eram os dois únicos registrados para participar do leilão, mas a Gazprom acabou não fazendo nenhum lance.

Dias depois, a Rosneft comprou o Baikal. A direção da Yukos afirma que o leilão foi ilegal.

Os executivos da Yukos afirmam que o leilão não passa de uma vingança disfarçada do Kremlin contra as ambições políticas do fundador da empresa, Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, que está preso sob acusações de fraude.

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