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Três anos depois, Argentina consolida recuperação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Três anos depois de uma profunda crise econômica, os argentinos já vêem esperança no futuro do país. A economia deve crescer cerca de 8% este ano, depois dos 9% de expansão no ano passado - um cenário bem diferente de 2002, quando encolheu 11%. O desemprego também está melhorando. Deve ficar abaixo dos 13% este ano, enquanto em maio de 2002 era de 20%. É verdade que ainda há problemas, mas o cenário geral é de melhora, como reconhece até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Orgulho "As autoridades argentinas estão orgulhosas, e devem estar orgulhosas, com o forte desempenho da economia", afirmou há algumas semanas o porta-voz da instituição, Thomas Dawson. A Argentina se recuperou de maneira impressionante de uma profunda e longa recessão que em 2001 culminou com o governo decretando moratória na dívida com os credores privados. Além disso, pensões foram suspensas e contas bancárias congeladas como parte das medidas de austeridade implantadas pelo governo para tentar lidar com a enorme dívida pública do país. Milhares de argentinos foram às ruas em protestos que resultaram na morte de dezenas de pessoas nos confrontos com a polícia. Dois presidentes e três ministros da Economia renunciaram e menos de um mês. A Argentina estava à beira de um colapso. A solução foi acabar com a paridade do peso com o dólar, em fevereiro de 2002. A desvalorização do peso que se seguiu acabou com a poupança de milhares de pessoas. Muitas empresas foram à falência. "Há três anos, todos os setores da economia foram atingidos pela crise", afirmou o empresário Drayton Valentine. Mas desde então, o ânimo geral mudou radicalmente, em parte porque a desvalorização ajudou a atrair novos investimentos do exterior e ajudou no comércio com o Brasil. "Agricultura e turismo estão ajudando", diz Valentine. Nascido nos Estados Unidos e criado, ele teve sorte porque na época da crise ele tinha dinheiro em dólares no exterior. Agora, ele está usando os recursos para montar uma empresa de comércio exterior. "Existe um senso de recuperação. Muitas empresas estão exportando agora", diz ele. Moratória Mas nem tudo são flores.
A Argentina ainda está sofrendo as consequências da moratória na dívida com os credores privados em 2001, de cerca de US$ 100 bilhões. O governo ainda continua tentando um acordo, mas os credores não aceitam receber apenas 25% da dívida, como oferece o governo. No campo doméstico, também muita gente ainda não recebeu o dinheiro que tinha nas contas na época em que a poupança foi congelada. "A situação é ruim para aqueles que haviam escolhido guardar sua poupança em bancos no país", diz Carlos Baez Silva, presidente da AARA, uma associação que representa correntistas de bancos e investidores em papéis do governo. Poucas pessoas conseguiram recuperar mais da metade da poupança, estima Baez, lembrando que muitos dos perderam suas economias são aposentados ou pessoas que confiaram no governo e acreditaram que suas contas estariam seguras. |
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