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Empresa lança campanha para vender cachaça na Europa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os empresários brasileiros querem aproveitar a melhora de qualidade da cachaça nos últimos anos e aumentar as vendas para a Europa. Até o fim do mês a cachaça Sagatiba lança uma campanha publicitária para entrar nos mercados da Itália e da Grã-Bretanha. A empresa contratatou a agência Saatchi & Saatchi para uma campanha que quer vender o Brasil sem estereótipos. "Queremos associar a imagem da cachaça ao Brasil que o europeu admira, da alegria, da espontaneidade, da cultura do 'tudo bem'. Não queremos os estereótipos da mulata, da Carmen Miranda e das frutas na cabeça", diz Alex Pinedo, diretor de marketing da Sagatiba. Exigente O Brasil exporta apenas 20 milhões de litros de cachaça por ano. Muito pouco, se comparados aos 2 bilhões de litros de vodka que a Rússia exporta ou aos 100 milhões de litros de tequila exportados pelo México. A produção de cachaças artesanais e mesmo as industriais de melhor qualidade têm mudado o perfil de consumo no Brasil, que passou a atingir um público mais exigente. Na avaliação de produtores brasileiros, essa mudança também vai permitir a conquista de novos mercados. "A cachaça se aperfeiçou e os produtores estão fazendo uma cachaça de qualidade, não apenas voltada para o baixo custo. Estamos atingindo um consumidor mais exigente no Brasil, que tem um perfil semelhante ao que se encontra no exterior", diz João Luiz Coutinho de Faria, que exporta a cachaça Magnífica para a Europa. Pinedo acredita que a melhora na qualidade vai permitir ganhar mercado, mas ele acha que o comportamento do exportador brasileiro também está mudando. "O empresário brasileiro tinha um complexo de inferioridade e produzia apenas para o mercado doméstico. Mas a gente acha que tem um produto bom e pode fazer da nossa cachaça uma marca mundial", diz Pinedo. 'Cana Royale' Na Europa, a cachaça é cara. Na Grã-Bretanha, uma garrafa custa pelo menos 20 libras (quase R$ 120) e a caipirinha pode ser encontrada em bares e restaurantes sofisticados. A rede de restaurantes de comida latina Las Iguanas é um dos maiores vendedores de cachaça na Grã Bretanha. O cardápio ensina o que é esse destilado e até mesmo como os britânicos devem pronunciar a palavra: "ca-sha-sa". No Las Iguanas, eles criaram o cana royale, inspirado no coquetel francês kir royale, feito de licor de cassis e champanhe. O cana royale é feito com cachaça, champanhe e licor de groselha. Para João Luiz Coutinho de Faria, a cachaça pode conquistar o mercado mundial como aconteceu com a tequila mexicana. Segundo ele, a tequila também passou pelo mesmo processo de aprimoramento. Mas ele reconhece que a tequila tem vantagens, como uma grande população de origem mexicana que mora nos Estados Unidos. "Acredito que a cachaça pode ser um dos destilados de maior consumo no mundo, mas isso depende de que as grandes empresas, que dominam o mercado, incluam a cachaça em seus portfólios, como aconteceu com a tequila", explica. O dono do Las Iguanas, Ajith Jya-Wickrena, diz que o consumo de cachaça está aumentando em sua rede de restaurantes. Segundo ele, isso tem a ver com o efeito da cachaça sobre o consumidor. "Bebidas diferentes provocam sensações diferentes nas pessoas. Isso não é uma teoria científica, mas vem de minha observação. O uísque pode deixar as pessoas deprimidas, a cachaça faz elas ficarem alegres", diz ele. |
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