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Atualizado às: 28 de abril, 2004 - 19h13 GMT (16h13 Brasília)
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Desemprego domina agenda doméstica da eleição presidencial nos EUA

ruas de Nova York
Recuperação do emprego nos EUA tem sido lenta
Depois de amargar números decepcionantes nos últimos meses, o governo americano anunciou que em março o país criou 308 mil empregos, um recorde nos últimos quatro anos.

Mas, devido ao aumento do número daqueles que resolveram voltar a buscar trabalho, a taxa de desemprego foi de 5,7%, praticamente inalterada em relação a fevereiro, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.

Considerada a principal questão doméstica desta campanha presidencial americana, a geração de empregos é uma incógnita para os economistas. As últimas análises indicam que o mercado de trabalho está mais precário, com a contratação de executivos e trabalhadores de classe média por tempo determinado, salários mais baixos e benefícios menores.

“De maneira geral, os indicadores econômicos são positivos: as empresas estão investindo, a produção tem crescido, mas a criação de empregos tem sido lenta, muito mais lenta do que acontece normalmente em períodos de recuperação econômica,” diz o economista Paul Osterman, vice-reitor da escola de administração do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Grande Depressão

Mesmo com as últimas estatísticas positivas, o governo George W. Bush tem sido acusado pela oposição democrata de ter destruído cerca de 2,8 milhões de postos de trabalho em seu mandato.

Além de Bush, só o governo de Herbert Hoover, durante a Grande Depressão da década de 1930, teria perdido tantos empregos.

Mas diante dos novos números positivos, especialistas em mercado de trabalho questionam se a criação de empregos indica uma tendência sustentável na economia americana.

“Esta década será muito mais difícil do que a anterior, mas acredito que as coisas já estão começando a melhorar,” disse Edmund Phelps, professor de política econômica da Columbia University.

“Não sou tão otimista quanto o governo Bush, mas tampouco acredito na viabilidade de um virtual governo John Kerry criar dez milhões de empregos em quatro anos, conforme anunciado.”

Phelps, um estudioso sobre a relação entre inflação e taxa de desemprego, disse ser impossível prever o ritmo da recuperação do emprego nos EUA nos próximos dois anos.

Produtividade

Entre as causas para o desemprego, os economistas apontam a recessão que sobreveio à chamada bolha “ponto-com,” a insegurança criada pelos ataques de 11 de setembro de 2001, a guerra do Iraque e a perda de postos de trabalho nos EUA para países emergentes como a Índia e a China.

Outro fator contribuindo para o desemprego seria o aumento da produtividade, tanto nos Estados Unidos como globalmente.

“Graças ao aumento da produtividade – ou seja, as empresas serem capazes de produzir mais com um número menor de empregados -, as empresas realizaram uma série de reestruturações nas últimas décadas,” diz Osterman, autor do livro Securing Prosperity – The American Labor Market: How it has changed And What to Do About It. (Assegurando a Prosperidade – O Mercado de Trabalho Americano: Como Ele Mudou e o Que Fazer a Respeito).

“Diante do aumento da produtividade e da atual incerteza, as empresas têm sido extremamente relutantes em contratar,” acrescentou.

Por outro lado, a perda de empregos causada pela competição com países com salários mais baixos, a chamada outsourcing, não teria, segundo os economistas, grande impacto no desemprego americano.

“Os melhores números que dispomos indicam que em 2003 os Estados Unidos perderam cerca de 200 mil postos de trabalho devido a outsourcing,” disse Osterman.

“Acredito que esse número seja bastante pequeno para o universo da economia americana.”

Política de emprego

Entre as iniciativas governamentais a serem seguidas para estimular a geração de empregos, Edmund Phelps e Paul Osterman descartam medidas protecionistas, que penalizariam multinacionais americanas que demitirem nos EUA para contratar em suas filiais internacionais.

“Acredito numa abordagem mais ampla do governo para aumentar os salários dos postos de trabalho menos remunerados da economia,” diz Phelps.

“Acredito que devemos estimular o aumento dos ganhos daqueles que ganham menos no mercado de trabalho. Infelizmente, é nesta faixa inferior do mercado de trabalho que o desemprego tem sido maior.”

Já Paul Osterman aponta duas estratégias para a geração de empregos.

“A primeira é continuar mantendo o crescimento econômico, até que, a uma certa altura as empresas começarão a recontratar e a maioria dos desempregados será reabsorvida,” disse.

Entretanto, de acordo com Osterman, devido ao crescimento do déficit americano, o atual aquecimento da economia dos EUA é insustentável a longo prazo.

“Já a segunda estratégia, e que eu apóio, é estabelecer um programa de treinamento da mão- de-obra ociosa. Não temos investido seriamente nisso: é preciso que o governo americano tenha uma política de desenvolvimento de recursos humanos para o nosso povo.”

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