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Taxa na Espanha caiu de 22% para 9,2% nos últimos 10 anos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Espanha vive um momento de indiscutível prosperidade. Desde 1994 foram criados 4,3 milhões de empregos e 500 mil empresas. A taxa de desemprego passou de 22% para 9,18%, de acordo com os dados do mês de março. No mesmo período a inflação caiu pela metade, até atingir o atual patamar de 2,3%. O déficit público, que estava em 6% do PIB, passou a um superávit de 0,6%. No ano passado, enquanto o PIB da União Européia aumentou 0,7%, e o da zona euro apenas 0,4%, a Espanha registrou um crescimento de 2,4%. Também foram criados 484 mil novos postos de trabalho. Dois fatores foram fundamentais durante esses anos: a redução da taxa de juros em mais de sete pontos percentuais, que favoreceu o investimento produtivo, e a adesão ao euro, que transmitiu segurança em relação aos fluxos monetários. Menos otimismo A União Européia, no entanto, enxerga a metade do copo vazio. A Comissão apresentou um informe em fevereiro apontando que a taxa de desemprego na Espanha, então em 11,2%, era a mais alta do bloco europeu. De acordo com o relatório, a principal razão para o alto índice é a baixa participação feminina no mercado de trabalho (apenas 42,3% das mulheres potencialmente ativas). Outro problema apontado é o excesso de contratos temporários (cerca de 30%). Analistas avaliam que os números alardeados pelo governo espanhol como sinal de prosperidade disfarçam um panorama menos otimista e devem ser avaliados com reservas. “O crescimento da economia espanhola está fundamentado em dois pilares, que são a construção civil e o consumo familiar”, afirma Francisco Javier Mena, catedrático da Escola de Economia ESADE, de Barcelona. “Isso não é necessariamente ruim. O fato de as pessoas gastarem muito, por exemplo, significa que elas confiam no país. Mas esse ciclo pode ter duração de curto prazo, e é preciso estar preparado para outras conjunturas”. Educação Mena também acha que um modelo de crescimento de longa duração deve se basear no incremento da produtividade. “Para isso é necessário investir em educação”, afirma. A Espanha investe apenas 0,98% do PIB em pesquisa científica e tecnológica, menos da metade da média da União Européia. Outro problema será a falta de mão de obra em um futuro próximo. De acordo com um estudo do Instituto de Economia da Alemanha, a sociedade espanhola será, dentro do continente europeu, a que experimentará o envelhecimento mais rápido até 2010, quando a população entre 5 e 29 anos representará apenas 26% do total. O bom momento da economia transformou a Espanha no principal destino de imigrantes na União Européia. No ano passado, cerca de um em cada quatro estrangeiros (22,9%) que desembarcou no continente escolheu como destino a Espanha. Em seguida ficaram a Itália (21,1%) e a Alemanha (16,3%). Rumo O novo primeiro-ministro, José Rodriguez Zapatero, que tomará posse nos próximos dias, não deve promover mudanças profundas no modelo econômico espanhol, mas já anunciou cuidados especiais com três questões. Zapatero prometeu investir na educação e na capacitação dos imigrantes, além de controlar sua entrada. Também anunciou a criação de uma secretaria somente para a habitação. Ao mesmo tempo em que avaliam com desconfiança o cenário de seu país e temem pelo desempenho de seus vizinhos da União Européia, os economistas espanhóis olham o Brasil com muita esperança. “Tenho muita confiança no Brasil. Lula trouxe confiança ao mercado internacional, e isso não é pouca coisa”, afirma Gonzalo Bernardos, catedrático da Universidade de Barcelona. “Se não houver nenhum problema externo ou crise política, os resultados deverão aparecer nos próximos meses. Com a inflação controlada os juros poderão baixar, chegando em torno de 10%, e a economia terá condições de crescer até 4% ou 5%”, diz Bernardos. Para Mena, é mais fácil fazer uma avaliação à distância. “O governo brasileiro preferiu fazer ajustes macroeconômicos essenciais a praticar uma política social imediatista, que poderia trazer algum respiro durante meses, mas acarretaria depois em anos de graves problemas”, afirma. “Imagino que a população brasileira esteja ansiosa por ver resultados. Mas não tenho dúvida de que essa política econômica era a melhor opção”. |
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