|
Para CNI, governo tem de soltar 'freios' da economia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor e presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Dagoberto Lima Godoy, diz que papel do governo é criar ambiente favorável para que empresas criam empregos. Por isso, ele reclama das "amarras" impostas à economia pelos juros altos e pela falta de reforma tributária efetiva. Mas ele apóia iniciativas do governo, como a convocação do Fórum Nacional do Trabalho para discutir reforma da legislação trabalhista. A seguir a entrevista de Lima Godoy, que também é vice-presidente para América Latina e Caribe da Organização Internacional dos Empregadores, à BBC Brasil: BBC Brasil - Qual a influência do governo na criação de empregos? Dagoberto Lima Godoy - Não é papel específico do governo criar empregos. Quem deve e pode criar empregos são as empresas. Ao governo cabe criar um ambiente propício para que as empresas surjam, em primeiro lugar, e se desenvolvam. Isso é fundamental porque os empregos privados são, por definição, auto-sustentados. O governo pode criar esse ambiente favorável através de várias medidas: por exemplo, a desburocratização do processo de criação e gestão das empresas. É um lugar comum, mas é bom que se repita. Outro tema é a modernização da legislação trabalhista. A regulação deveria ser através de negociação coletivas entre as partes, cabendo ao governo apenas a legislação básica dos princípios fundamentais do trabalho definida pela OIT. Acima disso deveria ser deixado para empregados e empregadores através de suas entidades representativas. Um terceiro ponto é a poupança pública investida em infra-estrutura econômica e social. Um dos problemas mais graves do Brasil hoje é que a infra-estrutura econômica está exaurida e a infra-estrutura social peca não só pelo seu pouco alcance, mas sobretudo por sua baixa qualidade. Cabe também ao governo construir um sistema previdenciário ao mesmo acessível e confiável. BBC Brasil - O que o Brasil deveria fazer para combater o desemprego? Lima Godoy - Crescer, desenvolver-se economicamente. E eu diria que para isso é preciso liberar a economia brasileira de suas amarras. E estas amarras estão concentradas na política monetária e na política tributária do governo. A política monetária é muito restritiva e a política tributária não atacou o antigo e reclamado desafio da reforma tributária. BBC Brasil - Como vê a política de empregos deste governo? Lima Godoy - Eu diria que tem um aspecto altamente positivo, ao convocar o Fórum Nacional do Trabalho, atacando justamente a modernização das relações do trabalho. Já no que diz respeito a outras medidas, como o programa Primeiro Emprego, tem se mostrado bastante ineficaz. Não é culpa do governo Lula, mas do próprio princípio. O único meio de criar empregos é através das empresas privadas numa economia em desenvolvimento. Enquanto nossa economia estiver freada por fatores como o altíssimo custo do dinheiro nós não teremos políticas governamentais eficazes para criar empregos. BBC Brasil - Esse crescimento de 3,5% previsto para este ano é suficiente para reduzir a taxa de desemprego? Lima Godoy - É insuficiente para responder à tragédia do desemprego. O que podemos esperar é que esse desemprego não se aprofunde. Um crescimento da ordem de 3,5%, 2,5% não é suficiente para fazer frente aos reclames da nossa mão-de-obra disponível. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||