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Para professor da PUC-RJ, é preciso reduzir o custo de demissões | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dos respeitados especialistas em mercado de trabalho no Brasil, o professor José Márcio Camargo, diz que uma reforma para simplificar a legislação trabalhista é o que de mais efetivo o governo pode fazer para combater o desemprego. Segundo ele, o desemprego neste ano ainda ficará em dois dígitos, isto é, em 10% ou mais. A seguir, a entrevista de José Márcio, professor da PUC do Rio e consultor da Tendências Consultores, à BBC Brasil: BBC Brasil - Qual a influência do governo na criação de empregos? José Márcio Camargo - É muito complicado. Nos anos 80, o desemprego era de cerca de 3%, em meados dos anos 90 passou para 7% e agora está em 12%. Uma das causas é a Constituição de 1988, que aumentou muito o custo de contratação e de demissão (como aumento da multa do FGTS para 40%, por exemplo). Como é muito caro demitir, as empresas não contratam. BBC Brasil - O que o Brasil deveria fazer para combater o desemprego? José Márcio - O Brasil está passando por uma transição. A Europa já está passando por isso há 20 anos. A Inglaterra passou por isso nos anos 80 e agora tem desemprego muito baixo. Os Estados Unidos passaram por isso nos anos 80 e agora têm desemprego muito baixo. Nesses dois países a legislação é mais transparente. BBC Brasil - E o papel do crescimento? Antes de crescer, dá pra fazer alguma coisa? José Márcio - Claro, dá pra fazer muito. Dá pra fazer todas essas reformas. A economia brasileira vai crescer este ano 3,5% e 4% e a taxa de desemprego vai continuar alta. Existem muitos empecilhos para a geração de emprego e o crescimento não é suficiente para romper esses empecilhos. Não acredito que vamos ter taxa de desemprego de um dígito este ano. BBC Brasil - O que acha da política de geração de empregos do governo? José Márcio - Até agora, este governo não fez muita coisa, pelo menos que eu saiba. O programa Primeiro Emprego é equivocado. Para gerar emprego para jovens, a principal coisa é diminuir o custo de demissão. Se o empresário puder demitir, ele não vai se sentir tão desestimulado a “testar” o empregado que ainda não tem experiência. Eles acabam recebendo salário mais baixo do que a qualificação. |
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