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Atualizado às: 26 de abril, 2004 - 19h10 GMT (16h10 Brasília)
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Governo deveria ter 'meta de emprego', diz Pochmann

Marcio Pochmann
Crescimento não atenderá demanda, diz Pochmann
Professor licenciado da Unicamp e secretário de Trabalho da Prefeitura de São Paulo, Marcio Pochmann, é um dos grandes especialistas em mercado de trabalho no Brasil. Ele diz que, sem crescimento, o desemprego não cai. Mas isso não é o bastante. "O governo deveria ter uma meta além da inflação, uma meta também de emprego".

A seguir, a entrevista que Pochmann deu à BBC Brasil:

BBC Brasil - O desemprego pode cair com a atual política macroeconômica do governo?

Marcio Pochmann - É possível reduzir o desemprego em 2 pontos, 2,5 pontos em relação ao ano passado. Mas isso não será suficiente para que o contingente de desempregados se reduza. Nós temos 2,3 milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente. E para isso, seria preciso crescer 5%, 6% ao ano, de forma contínua. A taxa deve cair, principalmente no segundo semestre. Mas ao mesmo tempo haverá um maior número de pessoas desempregadas.

BBC Brasil - O que o governo deveria fazer para gerar empregos, além do crescimento econômico?

Pochmann - Enquanto candidato, Lula tinha um programa, Mais e Melhores Empregos, que tinha três medidas: crescimento econômico, redução do tempo de trabalho, mudança no padrão de políticas públicas. Sem crescimento econômico é impossível resolver o problema do desemprego. É preciso também mudar o tempo de trabalho e taxar as horas extras de maneira que elas voltem a ser um instrumento emergencial.
A outra coisa é mudança no padrão de políticas públicas. Já fizemos uma proposta (em julho do ano passado) de trabalho coletivo, uma espécie de frente de trabalho, para garantir uma renda para pessoas que não tinham direitos como seguro-desemprego e FGTS porque estavam no mercado informal ou entraram no mercado agora. Seria um programa para 1 milhão de pessoas aliado à capacitação técnica e prática.
E a terceira ação é um programa voltado para os jovens e pessoas com mais de 40 anos. Como temos 3,7 milhões de jovens desempregados, a maioria deles com baixíssima escolaridade, é um programa de renda vinculado a formação profissional que permita ao jovem sair do mercado de trabalho.
Tem duas formas de enfrentar o desemprego elevado: uma é criar emprego, a outra é tirar do mercado pessoas que não deveriam estar procurando emprego. Por exemplo, na França, de cada dez jovens de 11 a 24 anos, só um está trabalhando, os outros estão estudando. No Brasil, de cada dez, sete estão no mercado. Com essa renda, vinculada a uma ocupação social, ele pára de procurar emprego e deixa de pressionar o mercado e reduzir a renda dos restantes.
O governo deveria ter uma meta além da inflação, uma meta também de emprego. Se quiser tornar o emprego um elemento central na agenda de política econômica, é preciso ter metas para emprego que comprometam todo o governo, não apenas inflação e superávit primário.

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