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Atualizado às: 26 de abril, 2004 - 19h33 GMT (16h33 Brasília)
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Para Pastore, Brasil é fraco nos 'fundamentos'

manifestação de CUT e Força Sindical em 2003 (Foto:Dirce Ferreira)
CUT e Força Sindical fizeram campanha salarial conjunta em 2003
O sociólogo José Pastore, um dos respeitados especialistas em relações do trabalho e desenvolvimento institucional no Brasil, diz que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destruiu um milhão de empregos no país. Segundo ele, neste ano serão criados apenas 1,2 milhão de empregos, no máximo, enquanto o número de desempregados atualmente passa de 10 milhões de pessoas.

A seguir, a entrevista de Pastore à BBC Brasil:

BBC Brasil - Qual a influência do governo na criação de empregos?

José Pastore - A criação de empregos depende de três fatores fundamentais: crescimento econômico sustentado, educação de boa qualidade e legislação trabalhista moderna. O Brasil está mal nos três. No ano passado, o crescimento foi negativo, o crescimento previsto para este ano não deve ser sustentado nos próximos anos, a qualidade de educação ainda é muito precária, a força de trabalho tem apenas 4 anos e meio de escola - enquanto nossos concorrentes tem dez anos na Coréia do Sul, 11 no Japão, 12 nos Estados Unidos, 12 na maior parte da Europa - e nossa legislação trabalhista tem mais 60 anos de idade e envelheceu porque ela é tamanho único para uma variedade muito grande de empresas. São três áreas importantíssimas nas quais o governo tem muito a fazer, desde que ele assuma uma liderança efetiva.
É preciso estudar maneiras de reduzir despesas para poder empregar as pessoas de maneira formal e protegida. De nada adianta manter uma lei cheia de direitos e gerando uma despesa enorme, se ninguém é protegido por ela. Ou muito pouca gente é protegida por ela.

BBC Brasil - O que o Brasil deveria fazer para combater o desemprego?

Pastore - Com essas três coisas, se tivermos esse coquetel bem misturadinho, poderemos ter perspectivas de dias melhores daqui para a frente. E essas três coisas são fundamentais. Se tiver uma só não adianta. Tem que ter as três juntas.

BBC Brasil - Como o senhor vê a política de empregos deste governo?

Pastore - Até o momento, o governo destruiu empregos. Prometeu gerar 10 milhões, mas destruiu no primeiro ano 1 milhão de empregos. Até o momento, não conseguiu gerar nenhum emprego. Estamos na expectativa de que de fato aquelas promessas de campanha se materializem neste ano ou no ano que vem.
Essa política trava o crescimento econômico e torna mais difícil a geração de empregos. Mas o travamento não vem só da política macroeconômica, do superávit alto. O travamento vem também do fato de 60% dos trabalhadores estarem na informalidade. Quem está na informalidade não recolhe nada para a Previdência. A Previdência passa a ter um déficit muito grande. Com déficit, o governo tem que ir no mercado financeiro tomar dinheiro emprestado. Com isso, o juro sobe, o juro subindo não há investimento, nem público nem privado. Não havendo investimento não há emprego.

BBC Brasil - Este crescimento de 3,5% previsto para este ano, será suficiente para reduzir o desemprego?

Pastore - Em primeiro lugar, eu não acredito nele. Em segundo lugar, pode dar um refresco muito pequeno, porque o estoque de desempregados é de 12%. Muito alto. Nós já temos 10 milhões de desempregados no Brasil. Crescer 3,5% vai gerar mais ou menos um milhão, 1,2 milhão de postos de trabalho, a maioria no setor informal. Isso está muito longe de resolver o estoque. Sem falar no contingente de jovens que entra no mercado todo ano.

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