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Atualizado às: 26 de abril, 2004 - 19h12 GMT (16h12 Brasília)
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Barelli diz que emprego tem de virar prioridade de governo

rua de São Paulo
Desemprego em São Paulo é recorde
Walter Barelli, ex-ministro do Trabalho, critica a política econômica e diz que emprego não é prioridade do governo Lula. Para ele, a política tem que mudar para favorecer o crescimento e, com isso, reduzir desemprego.

A seguir, a entrevista de Barelli à BBC Brasil:

BBC Brasil - Qual a influência do governo na criação de empregos?

Walter Barelli - Ele vai definir a legislação, mais ou menos favorável ao emprego, e a política financeira. No caso brasileiro, estamos com política financeira restritiva que, ao restringir o crédito, cria dificuldades para as empresas e isso não é bom para o emprego. Temos uma política de juros altos que significam custos elevados para as empresas e não levam à criação de empregos.
O governo não elegeu o emprego como prioridade, mas a estabilidade e a credibilidade externa. Daí, a política de juros altos e restrição ao crédito. Ele tem que abrandar isso. Além disso, tem que melhorar o aparato legal interno para facilitar que haja mais empregos. É preciso reformar a legislação trabalhista principalmente no que se refere ao custo do trabalho. E isso não significa reduzir receita do governo. Pode até aumentar a receita. Hoje os encargos sociais recaem sobre a folha de salários. Se mudar para um cálculo sobre o valor adicionado da produção, vai desonerar a folha de salário e será favorável ao emprego.
O excesso de encargos favorece a informalidade. Se isso mudar, não haveria vantagem para o empresário continuar não registrando o trabalhador, porque ele teria que pagar da mesma maneira.

BBC Brasil - O que o Brasil deveria fazer para combater o desemprego?

Barelli - As medidas têm que ser tomadas na área econômica. Criar um ambiente que favoreça o crescimento. O desemprego muda se houver crescimento. As empresas dizem que não vêem, olhando para a frente, uma situação de tranqüilidade que as leve a contratar mais gente. As horas extras estão crescendo, mas não o emprego.

BBC Brasil - Como vê a política de empregos deste governo?

Barelli - Não há nenhuma política efetiva. Tem o Primeiro Emprego, mas poucas pessoas foram contratadas. Em um dos programas, apenas uma pessoa.
O governo anunciou coisas que são empregadoras, como o apoio à indústria da construção civil. Mas é preciso mostrar esse apoio através de programas que ainda não começaram. Da mesma forma anunciou uma política industrial, que é uma coisa boa, mas precisa sair do papel. O discurso cria esperança, mas a prática é que o governo é lento na instrumentação do que quer fazer.

BBC Brasil - Esse crescimento de 3,5% previsto para este ano é suficiente para reduzir a taxa de desemprego?

Barelli - Não. Ele vai criar empregos, mas o Brasil precisar crescer bem mais do que isso para recuperar o atraso. Os 3,5% deste ano são quase uma conquista estatística. Como no ano passado decresceu, só a manutenção do ritmo do fim do ano já vai dar um crescimento de 2,5%.

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