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Atualizado às: 08 de janeiro, 2004 - 23h10 GMT (21h10 Brasília)
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Para economistas em NY, queda do 'risco Brasil' é sustentável

Placa de rua
C-Bond foi negociado a mais de 100% do seu valor de face

Economistas ouvidos pela BBC Brasil em Nova York acreditam que a acentuada queda do chamado "risco Brasil" não é um fato isolado, mas demonstra a atual confiança dos mercados na gestão econômica do governo Lula.

Nesta quinta-feira, o risco Brasil, o índice medido pelo banco JP Morgan Chase que reflete a cotação do C-Bond (o principal título da dívida brasileira no exterior), bateu um recorde histórico, fechando o dia com vendas a 100,25% do seu valor de face e um ágio de 0,25%.

"Acredito que a queda do risco Brasil e a conseqüente valorização dos papéis da dívida brasileira sejam sustentáveis," disse Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para a América Latina do banco HSBC.

"Volta-se a um patamar que é consistente com uma taxa de risco real que propicia um crescimento (econômico do país) de longo prazo."

Alongamento da dívida

Segundo os analistas, o PIB brasileiro deve crescer cerca de 3,5% em 2004, e os Estados Unidos crescerão acima de 4%.

Combinadas, tais condições deverão favorecer tanto o alongamento do perfil da dívida brasileira quanto um aumento ainda maior do otimismo dos mercados em relação ao Brasil.

 Certamente o governo brasileiro deverá aproveitar essa oportunidade para recomprar títulos da dívida em condições bastante mais favoráveis ao país.

Nuno Câmara, economista sênior para América Latina do Dresdner Kleinwort Wasserstein

"Certamente o governo brasileiro deverá aproveitar essa oportunidade para recomprar títulos da dívida em condições bastante mais favoráveis ao país," disse Nuno Câmara, economista sênior para América Latina do Dresdner Kleinwort Wasserstein.

A recompra dos títulos é prevista no contrato de emissão dos C-Bonds, que foram lançados no mercado inicialmente em 1994.

A próxima data de resgate dos papéis é no dia 15 de abril. Se o governo optar pela recompra, terá que avisar ao mercado com pelo trinta dias de antecedência.

Segundo Câmara, o Dresdner tem aconselhado seus clientes a investir na dívida brasileira.

"Este ano também mantemos a nossa recomendação de compra (dos títulos) da dívida brasileira acima da média, porque achamos que a política austera fiscal vai permanecer."

Dos países latino-americanos, o Brasil é o que experimenta a maior euforia dos investidores – e por méritos próprios, como conseqüência de sua recuperação econômica.

"Em geral, o biênio 2003-2004 tem sido mais difícil para os papéis da dívida da América Latina," disse Vitali Meschoulan, diretor para América Latina do Eurasia Group, uma empresa de consultoria especializada em economias emergentes.

"As exceções têm sido o México e a Venezuela. O México, porque tem se beneficiado de seu superávit comercial com os Estados Unidos, e a Venezuela, graças a altas cotações do petróleo no mercado internacional", explicou.

Vulnerabilidade americana

Já do ponto de vista global, a vulnerabilidade fiscal e os contínuos déficits comerciais da economia norte-americana podem significar, em médio e longo prazos, uma reversão dramática do presente cenário.

Vivendo um ano eleitoral, e com uma economia em fase de aquecimento, beneficiada por um pacote de renúncia fiscal da ordem de US$1 trilhão, os EUA apresentam uma taxa de juros de 1%, a mais baixa dos últimos quarenta anos.

"Dada uma conjuntura internacional de alta liquidez e a perspectiva de fundamentos mais positivos na economia americana, as taxas de juros nos Estados Unidos continuam a cair," disse Vieira da Cunha.

Tal condição, aliada à uma desvalorização do dólar diante do Euro e do iene japonês, favorece os papéis de países emergentes, como é o caso do Brasil.

Mas caso o banco central americano se decida por um aumento da taxa de juros dos EUA, a simpatia dos mercados pelo C-Bond deverá se arrefecer. Neste caso, o risco Brasil poderá ter uma subida significativa.

Ao que tudo indica, tal cenário é improvável, pelo menos até a próxima eleição presidencial americana, marcada para o dia 2 de novembro.

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